O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), candidato à reeleição, e o secretário estadual de Comunicação, Marcelo Cattani, foram condenados pela Corte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná ao pagamento de multa de R$ 15 mil, cada um, por "desvirtuamento da propaganda institucional em promoção pessoal da figura do governador do Estado" em um encarte distribuído junto com um jornal de Curitiba, no dia 30 de junho, um dia depois da convenção realizada pelo PSDB, quando o tucano foi confirmado candidato. A decisão da Corte é unânime. O relator do caso, Lourival Pedro Chemim, determina ainda o encaminhamento dos autos ao Ministério Público (MP) do Paraná para apuração de eventual ato de improbidade administrativa.
O coordenador jurídico da campanha de Beto, Cristiano Hotz, informou que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), "onde, em julgamento de caso semelhante, foi descartada a propaganda irregular". Pela legislação eleitoral, a propaganda institucional, feita pelas administrações públicas, pode ser distribuída até no máximo três meses antes das eleições, ou seja, até 5 de julho. Um dia depois, os candidatos foram autorizados a iniciar a campanha.
O recurso eleitoral foi apresentado pela coligação "Paraná Olhando Para Frente", encabeçada pela candidata Gleisi Hoffmann (PT). O relator havia negado a irregularidade em primeira análise, mas, depois de avaliar novo recurso da coligação petista, apresentando documentos que comprovaram a distribuição do encarte, o magistrado reformou, em parte, a própria decisão. Para Chemim, Cattani foi o responsável pela divulgação da "propaganda extemporânea subliminar" e Beto o "beneficiário". A tiragem foi de 17 mil exemplares.
O material distribuído com o jornal da capital trazia, segundo a sentença do TRE, comparação "insistente, embora velada", entre o governo atual e o anterior, com a "potencialidade para influenciar a opção política do eleitor".
Segundo Hotz, "o TSE já decidiu que para haver a irregularidade deve constar nome do candidato, número, e não havia nada disso no material distribuído". "Foi feita, com certeza, propaganda institucional, legal", disse o advogado. A reportagem não conseguiu falar com o secretário Cattani.

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