A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) protocolou esta semana, no Fórum de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), denúncia de interceptação de comunicação telefônica clandestina contra os policiais militares Luiz Antonio Jordão e Afrânio de Sá, o instalador João Batista Cordeiro, o técnico em telefonia Gilberto Gonçalves, o advogado criminalista Peter Amaro de Sousa e o empresário Naum Ruben Galperin. Eles teriam planejado e executado a instalação de um grampo telefônico em duas linhas da Ocidental Distribuidora de Petróleo, de propriedade de Ezídio Guerino, no final de março deste ano.
De acordo com a denúncia protocolada na Justiça, Galperin – proprietário da empresa Delta Distribuidora de Petróleo – teria procurado Sousa em seu escritório para pedir que fosse realizada a interceptação das ligações de seu concorrente, com quem mantém pendências financeiras e judiciais desde 1997. O advogado, que teria um irmão que trabalha como piloto no Setor de Tráfego Aéreo do Palácio Iguaçu, teria entrado em contato com o soldado Afrânio, que por sua vez comentou o assunto com o cabo Jordão (autor de diversas denúncias de grampo telefônico em campanhas eleitorais e prédios públicos envolvendo o primeiro escalão do governo do Estado).
Os dois militares teriam contratado os serviços de Gilberto Gonçalves, que na oportunidade prestava serviços de telefonia para o Palácio Iguaçu e era subordinado à assessoria especial de gabinete do governador Jaime Lerner. Gonçalves teria entrado em contato com Cordeiro para a realização do serviço. Cordeiro teria se deslocado até a Rodovia do Xisto, em Araucária, e instalado dois gravadores nas linhas telefônicas da Ocidental. No dia 4 de abril, ele foi preso em flagrante quando retirava os gravadores que estavam conectados aos cabos dos terminais telefônicos. O serviço teria custado R$ 700,00.
Apesar dos policiais militares negarem a realização do grampo na Ocidental Distribuidora de Petróleo, os promotores da PIC alegam que eles confessaram a participação no crime no depoimento dado à Casa Militar. O advogado criminalista Peter Amaro de Sousa ficou surpreso com a denúncia. Ele disse que tentará impedir que a denúncia vire ação penal. ‘‘O meu consolo é que terei direito a um contêiner especial’’, ironizou. Para o advogado, a denúncia teve como intuito exclusivamente a desmoralização dele como profissional. ‘‘Eles que aguardem. Agosto será o mês da caça às bruxas. Vou falar menos e agir mais’’, argumentou, sem querer adiantar seus próximos passos.
O empresário Naum Galperin ficou irritado e não quis acreditar que a denúncia havia sido elaborada pela PIC. ‘‘Levei todas as provas que não pedi grampo nenhum. Pedi varredura e nas minhas linhas telefônicas’’, afirmou irritado. Ele negou participação em grampos. Em entrevista à Folha, disse que foi grampeado e que suspeitava de seu concorrente. Chegou até a oferecer recompensa se alguém descobrisse quem havia sido o responsável pelo grampo em seu escritório. ‘‘Se alguém fez grampo, fez sem meu conhecimento’’, declarou.

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