A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Apucarana ingressou ontem na 2ª Vara Cível com uma medida cautelar, com pedido de liminar, pedindo o sequestro dos bens do ex-prefeito Carlos Roberto Scarpelini (PSDB). O pedido de liminar também atinge o extinto Apucarana Futebol Clube e seu ex-presidente, Jesus Vicentini. A ação deve ser julgada nos próximos dias pelo juiz Katsujo Nakadomari.
Segundo o Ministério Público (MP), Scarpelini fez repasses irregulares ao Apucarana Futebol Clube, no período de 1997 a 1999, no valor de R$ 885.816,51 (atualizados). O promotor Eduardo Nagib Matni explicou que os repasses tiveram pareceres contrários da Diretoria de Contas Municipais, do Tribunal de Contas do Estado e do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público Cível.
Matni explicou que o pedido de bloqueio de bens é preparatório para uma ação civil pública, por ato de improbidade administrativa, que deverá ser impetrada em 30 dias. ‘‘A ação foi proposta com base na lei de nº 8.429 (Lei de Improbidade Administrativa) e nos artigos 822 e 825 do Código de Processo Civil.’’
Procurado pela Folha, o ex-prefeito Carlos Scarpelini declarou que liberou ao time de futebol da cidade apenas o que estava previsto no orçamento do município. ‘‘Na época isso foi feito com autorização legislativa, e apenas obedeci ao que estava no orçamento’’, comentou.
Scarpelini destacou que nas administrações que o antecederam também foram feitos repasses de recursos ao futebol profissional. ‘‘Apoiar o futebol profissional era uma prática comum em todo o Estado’’, frisou. ‘‘Estou absolutamente tranquilo em relação a isso e estarei à inteira disposição do MP e do Judiciário’’, acrescentou.
A Folha não conseguiu localizar ontem Jesus Vicentini, que, segundo informações de amigos, estaria residindo em Curitiba.

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