Curitiba - O Ministério Público (MP) de Telêmaco Borba pediu ontem o afastamento do atual presidente da Câmara Municipal, Edson Francisco Mendes (PMDB), e do ex-presidente da casa, Nezias Trindade da Silva (PSB) que ocupou a presidência da Casa em 2001 e 2002 através de uma ação cautelar. Este último foi preso no início do mês acusado de tentativa de coação de testemunhas. Segundo o MP, que investiga o caso, os vereadores estariam envolvidos em um esquema de desvio de combustíveis.
Na mesma medida, a Promotoria Especial de Proteção ao Patrimônio Público pede, ainda, a quebra de sigilo bancário e fiscal e a indisponibilidade dos bens dos acusados. O promotor do Patrimônio Público, Adriano Zampieri Calvo, disse que essa é uma ação preparatória para a ação principal, que deve ser protocolada em um prazo máximo de 30 dias. O MP vai pedir o ressarcimento do prejuízo ao erário público e a aplicação de sanções por improbidade administrativa. Segundo o promotor, o órgão continuará as investigações para descobrir se o esquema apenas serviu para favorecer terceiros ou se houve enriquecimento ilícito.
As investigações do MP começaram no final de agosto, depois que o relatório de auditoria feito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou diversas irregularidades na Câmara Municipal de Telêmaco Borba. Segundo o MP, testemunhas relataram que os dois vereadores autorizavam o fornecimento de combustível a particulares. Os ''cartões de visitas'' dos vereadores ou, ainda, requisições assinadas por eles serviam como ''vale combustível''. As despesas dos veículos oficiais e não-oficiais eram cobradas da Câmara.
As suspeitas de irregularidade são reforçadas pelos gastos com combustível feitos de janeiro até agora. Segundo cálculo do MP, foram gastos R$ 317.187,13, o que equivaleria a 26.968 litros de álcool, 126.440 de gasolina e 41.536 de diesel. O relatório do TCE, de acordo com o MP, já demonstrava gasto excessivo de combustível para uma frota tão pequena. São apenas três veículos, sendo um deles uma motocicleta, único movido a gasolina. Só a moto teria gasto R$ 77,5 mil em combustível, durante sete meses. A despesa caiu para menos de R$ 300,00, quando a denúncia veio à tona.
O atual presidente da Câmara disse, através de seu secretário particular, Márcio Amaral, que vai se responsabilizar pelos documentos que foram emitidos apenas durante sua gestão, iniciada em 1º de janeiro deste ano. Para tanto, informou o secretário, Mendes esteve na semana passada no TCE, em Curitiba, pedindo a antecipação do relatório do primeiro semestre deste ano. ''Ele (o presidente da Câmara) não está sonegando informações ao promotor. Pelo contrário, está até ajudando'', afirmou Amaral. O ex-presidente Nezias Trindade da Silva também foi procurado pela Folha, mas não foi encontrado.

mockup