O promotor José Aparecido da Cruz deve tomar hoje o depoimento do prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (PSDB), sobre os desvios de R$ 2,6 milhões dos cofres públicos. Na semana passada, Cruz propôs ação civil pública por improbidade administrativa contra o ex-secretário da Fazenda, Luis Antônio Paolicchi. Ontem, Cruz esperou Gianoto durante toda a tarde, mas não conseguiu ouvi-lo.
À Folha, no início da noite, o prefeito, que estava fora da cidade há quase uma semana, alegou que não conseguiu pousar antes no aeroporto por causa do mau tempo. Mas afirmou ter mantido contato com o promotor. ‘‘Não tenho nada a esconder dele’’, garantiu. O prefeito prometeu ainda repassar ao Ministério Público (MP) toda a documentação requerida, além de ajudar na apuração dos desvios.
‘‘Ele é o responsável por todo o patrimônio do município e precisa prestar esclarecimentos’’, alegou o promotor, que está requerendo cópias de documentos ao prefeito, além de pedir a quebra de sigilo das contas do município movimentadas por Paolicchi.
Cópia da ação de improbidade proposta contra o ex-secretário e outros três acusados só chegou anteontem à prefeitura, segundo Gianoto. Ele acredita que não havia meios de ter informação sobre os desvios da forma como foram feitos. Durante quatro meses – de dezembro de 1998 a março do ano passado – cheques do município foram depositados em contas de um funcionário de Paolicchi, Waldemir Reinaldo Corrêa, que depois os repassava para a conta do ex-secretário.
A Procuradoria da República, segundo Gianoto, comunicou a existência de desvios da prefeitura no dia 29 de setembro. Ele alega que só foi comunicado na segunda-feira, dia 2 de outubro. ‘‘Imediatamente pedi a abertura de inquérito policial e uma auditoria interna’’, justifica. Gianoto adianta que, com uma cópia da ação nas mãos, será possível checar os desvios e levantar se existem outras irregularidades. ‘‘Ainda não sabemos se outras contas bancárias foram usadas para desviar recursos do município’’, disse.
Gianoto lembrou ainda que quando assumiu, manteve Paolicchi no cargo de secretário porque ele tinha conhecimento do funcionamento da pasta. ‘‘Foi o único secretário técnico, que não foi indicado politicamente’’, lembrou. O prefeito alega ainda que ‘‘até onde conhecia’’, Paolicchi já tinha capital quando assumiu, em 1997. ‘‘A propria mineradora (Rainha) já estava em fase de implantação’’, afirmou Gianoto.
O prefeito acha que os demais servidores acusados na ação, o atual secretário de Fazenda, Jorge Aparecido Sossai, e Rosimeire Castelhano Basbosa, não tinham informações sobre os desvios. ‘‘Mas vamos averiguar todos’’, promete.
O MP também deverá investigar várias pessoas. Na cópia da ação civil pública consta o nome do vereador e candidato do PTB à Prefeitura de Maringá, Dr. Batista, que teria recebido em sua conta um cheque de R$ 5 mil de Corrêa, no final de 98. A promotoria não forneceu informações, mas o vereador, procurado pela Folha, disse que soube da citação de seu nome e tomou a iniciativa de procurar o promotor anteontem. ‘‘Vou entregar todos os documentos sobre minhas contas ao Ministério Público porque tenho minha consciência limpa e não devo nada’’, afirmou.
Ele disse que não conhece Waldemir Corrêa e que o cheque foi depositado em sua conta quando estava em férias. ‘‘Na minha campanha para deputado estadual, fizemos uma rifa de um Fiat zero e a coordenação do meu comitê orientou depósitos das vendas em minha conta corrente’’, explicou. Dr. Batista não acredita que o episódio possa prejudicar sua campanha pela prefeitura. ‘‘Graças a Jesus não tenho o que temer’’, garantiu.

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