O promotor de Cruzeiro do Oeste, Willian Gil Pinheiro, vai instalar inquérito civil público para investigar denúncias de irregularidades que teriam sido cometidas pelo prefeito de Mariluz, o padre Adelino Gonçalves, durante os três meses de mandato. As supostas irregularidades no relatório de uma auditoria encomendada pelo prefeito em exercício, Benedito Costa (PPB). Padre Adelino está preso em Curitiba acusado de mandar matar o vice-prefeito Ayres Domingos e o presidente do PPS, Carlos de Carvalho, o Carlinhos Gordo. Presidente da Câmara, Costa assumiu a prefeitura.
Segundo Pinheiro, os documentos indicam irregularidades em contratos para compra de pneus, contratação de um advogado para prestar assessoria jurídica, pagamento de médicos, de diárias e abastecimento de veículos. Num dos casos, o prefeito fez contrato com um advogado no valor de R$ 7,8 mil para prestar assessoria e fazer uma auditoria nas contas. O advogado recebeu R$ 5,2 mil, mas não apresentou a auditoria. O prefeito também teria recebido diárias de viagem no mesmo dia em que participou de atos na prefeitura.
Pinheiro adiantou que vai instaurar um inquérito para apurar cada denúncia e se forem procedentes, ingressará com uma ação civil pública contra o prefeito. A Câmara também pretende instaurar uma Comissão Processante para investigar as suspeitas de irregularidades administrativas.
Ontem, a Câmara cancelou ontem a sessão que votaria a cassação do mandato do prefeito, o padre Adelino Gonçalves (PMDB) por falta de decoro. A sessão foi suspensa anteontem à tarde pela desembargadora Regina Afonso de Portes, do Tribunal de Justiça, que acatou recurso do advogado de Padre Adelino, Cláudio Dalledone Júnior. Mesmo assim, os vereadores, advogados e cerca de 200 pessoas compareceram à Câmara ontem de manhã. A Polícia Militar mobilizou 30 homens para fazer a segurança.
Havia dúvida se a sessão devia ser instalada e suspensa ou simplemente cancelada. Enquanto vereadores e advogados decidiam o que fazer, dezenas de pessoas que apóiam o padre ocuparam o auditório. O grupo comemorou quando Dalledone comunicou que não haveria sessão. ‘‘Teríamos reunido aqui 3 mil pessoas para apoiar o padre se ele fosse julgado’’, disse o vereador Cícero Luiz dos Santos (PT), representante dos sem-terra na Câmara.

mockup