CASO AMA-COMURB Promotoria investiga presidente da CEI MP suspeita que livro de poemas, impresso a pedido de Antenor Ribeiro, com propaganda política, foi pago com dinheiro público César AugustoJUSTIFICATIVARibeiro: ‘‘Não há irregularidade’’. No detalhe, os livros e a nota Lucilia Okamura De Londrina O presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Londrina que apura irregularidades no caso AMA–Comurb, vereador Antenor Ribeiro (PPB), é alvo de investigação do Ministério Público (MP) de Londrina. A promotoria suspeita que a impressão de um livro de poemas do vereador, utilizado como material de campanha eleitoral em 98, tenha sido paga com dinheiro da prefeitura. O MP abriu procedimento administrativo no dia 2 deste mês, após receber a denúncia de que a impressão de cerca de 20 mil unidades do livro ‘‘Nunca é Tarde Pra Dizer’’ tenha sido paga com dinheiro público. Metade das unidades traz na contracapa a foto do deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB) e nas outras 10 mil unidades, foto do deputado federal Alex Canziani (PSDB). Nas páginas iniciais há um ‘‘recado’’ do vereador, que recomenda aos eleitores e amigos que votem em Antônio Carlos, lembrando, inclusive, o número do candidato. ‘‘Precisamos de um deputado compromissado com Londrina e Antônio Carlos Belinati tem raízes profundas em nossa cidade’’, diz, em determinado trecho. Mesma orientação é feita nos livros que trazem Canziani na contracapa. Os livros foram impressos na gráfica Maxiprint, de Londrina, em 98. As notas fiscais referentes aos serviços foram emitidas em nome da Prefeitura de Londrina. Ontem de manhã, o sócio-proprietário da gráfica, Luiz Carlos Preto, prestou depoimento ao promotor Bruno Galatti e confirmou a confecção dos livros. Ele disse que os pedidos de impressão foram feitos pelo vereador, que pagou R$ 17.500,00 (em dinheiro) pelas duas tiragens. Por determinação da promotoria, ele levou notas fiscais e outros documentos referentes aos dois serviços. Ainda de acordo com o depoimento, as notas fiscais de números 773 (livro com contracapa de Canziani) e 800 (contracapa de Antônio Carlos) que deveriam ser dos dois serviços executados, foram preenchidas e emitidas em nome da prefeitura ‘‘por engano’’. Ele esclareceu que, com relação à nota 773 (emitida em 31 de julho de 98), a descrição do serviço nela constante não tem relação com o que foi realmente executado – impressão dos livros. A Folha não conseguiu falar com Preto ontem. O promotor Galatti não quis comentar a investigação, dizendo apenas que o MP tomará depoimentos de todas as pessoas envolvidas no caso, inclusive do vereador. Galatti, junto com os promotores Cláudio Esteves e Solange Vicentin, investigam há mais de um ano as denúncias de irregularidades na prefeitura. A CEI da Câmara, formada em outubro de 99, também investiga o mesmo assunto. Na opinião do vereador Antenor Ribeiro, o fato de presidir a comissão e ser alvo de investigação do MP não traz nenhum desconforto. ‘‘Eu não conheço a denúncia, mas se for chamado darei todas as informações necessárias’’, afirmou. Ribeiro confirmou ter feito o pedido junto à gráfica e de ter pago pelo serviço. ‘‘Não tem nenhuma irregularidade e posso provar’’, garantiu. Ele disse acreditar que a denúncia surgiu porque ‘‘pessoas’’ estão se sentindo incomodadas com o trabalho da CEI. A Folha telefonou ontem para Antônio Carlos, deixou recado com assessores, mas não houve retorno. Canziani respondeu, através de sua assessoria, que o material foi pago pela coordenação da campanha. O prefeito Antonio Belinati (PFL) também foi procurado, através de sua assessoria, mas não se manifestou.

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