O Ministério Público (MP) de Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina) instaurou um procedimento investigatório para averiguar denúncias de uso político de um terreno, próximo ao lago da Hidrelétrica de Capivara, invadido no final do ano passado por 150 famílias. Segundo requerimento apresentado por um grupo de moradores, no final de 2000, o prefeito eleito, Mário Casanova (PFL), assinou um acordo onde prometia cadastrar as famílias que ocuparam a área e promover a legalização dos lotes.
A desempregada Patrícia Benelli, de 22 anos, uma das invasoras do terreno, afirmou que o prefeito não cumpriu o acordo por questões políticas. ‘‘Ele simplesmente desmanchou o acordo porque um adversário teria visitado as famílias’’, comentou. O promotor Marcelo Paulo Maggio disse que será feita uma investigação para saber se houve ato de improbidade administrativa ou crime político. ‘‘Não podemos fazer comentários para que não haja nenhuma injustiça ou precipitação’’, resumiu.
Casanova disse que a intenção era regularizar a situação das famílias por intermédio da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). ‘‘Eu assinei o documento e houve um acordo de não ter política no meio, mas naquele mesmo dia o Zé Maria (deputado estadual José Maria Ferreira, do PSDB) e o ex-prefeito Paulo Todero (PSDB) apareceram no terreno’’, justificou. Segundo ele, o acordo era para que as famílias deixassem o local para a Cohapar promover um recadastramento social.
Na avaliação de Casanova, a denúncia é mais um ‘‘golpe político’’ contra sua administração. Ele disse ainda que não existe licença do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para a construção de moradias na área invadida.
O ex-prefeito disse que durante a campanha eleitoral o deputado José Maria apareceu na cidade ‘‘como sempre fez’’ e numa dessas visitas esteve em frente ao terreno. ‘‘Mas não existe qualquer ligação, é ele (Casanova) quem tem que decidir. Se ele usou isso para não cumprir o acordo, é falta de competência’’, rebateu.
Todero está sendo investigado em inquérito policial que apura uma possível compra de votos com a promessa de distribuição de lotes do terreno e de material para construção das casas. O MP também solicitou informações sobre o teor da lei municipal criada em sua gestão, regulamentando a distribuição destes lotes.

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