Promotoria investiga Noronha Leandro Donatti De Curitiba A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) do Paraná, investiga a ligação do ex-delegado geral da Polícia Civil do Paraná João Ricardo Képes Noronha com o traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Uma testemunha procurou à PIC, em Curitiba, e repassou a informação de que Noronha era pago por Beira-Mar para acobertá-lo da polícia do Rio. A informação chegou a um corresponde do jornal ‘‘O Globo’’, que trouxe na sua edição de ontem os detalhes da denúncia. Segundo a reportagem, a testemunha disse à PIC que Fernandinho Beira-Mar está refugiado na Fazenda Santo Antonio, que pertence ao ex-general paraguaio Lino Ovieno, na fronteira com o Paraguai. O relato da testemunha faz parte ainda de um dossiê montado pelo serviço secreto da Polícia Militar. O nome da testemunha é mantido em sigilo, por uma questão de segurança. Segundo relato feito à PIC, o relacionamento de Noronha com a quadrilha de Beira-Mar começou quando da sua estada frente à delegacia de Foz do Iguaçu. Garante a testemunha que policiais comandados por Noronha tinham a missão de ir ao Paraguai buscar placas frias e ordens de carregamento de soja junto a subalternos do general Lino Oviedo, também ligado a Beira-Mar. Carretas e carros com placas frias entravam no Paraguai para serem trocadas por cocaína, consta no dossiê da PM. Segundo a testemunha, Noronha recebia percentual sobre as transações envolvendo a droga. Policiais e outros delegados envolvidos também recebiam comissão. A Folha tentou contato com o procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacóia, para saber detalhes das investigações, mas o celular do procurador estava desligado ontem. O delegado-geral provisório da Polícia Civil, Marco Antonio Lagana, disse que aguarda um posicionamento do MP. ‘‘Vejo com reserva esse tipo de informação. Mas como estamos em busca da verdade, até para o bem do Noronha, daremos todo o apoio necessário para os promotores investigarem se há ou não esta ligação’’, assinalou. Lagana disse que a Polícia não localizou o esconderijo de Noronha. ‘‘O advogado dele (Luiz Alberto Machado) me disse que ele será apresentado nos primeiros dias depois do Carnaval. Nós continuamos com as diligências. Já enviamos equipes de busca na casa de Noronha, na clínica de seus irmão (Gustavo Noronha) e no litoral’’, reforçou Lagana.