APUCARANA - A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público vai investigar o desvio de recursos destinados exclusivamente à merenda escolar, que teria ocorrido no último mês da administração do ex-prefeito de Apucarana, Valter Pegorer (PSDB). O anúncio foi feito ontem pelo promotor Luiz Fernando Delázari, ao instaurar procedimento administrativo, visando apurar denúncia recebida da Assessoria Jurídica do Município.
Através do procedimento administrativo, Delázari vai analisar a finalidade do convênio prefeitura-FAE, e tomar os depoimentos do proprietário do Supermercado Panorama (que fornecia mercadorias para a merenda escolar), de funcionários do Centro de Promoção Humana São Benedito e do ex-prefeito.
Conforme revelou Delázari, de posse de documentos e da denúncia formulada pela Assessoria Jurídica, em novembro a prefeitura, utilizando dinheiro do Fundo de Assistência ao Estudante (FAE), contratou R$ 92 mil em alimentos, junto ao Supermercado Panorama, situado no Jardim Marabá, em Apucarana.
Depois, no dia 10 de dezembro, antes que fosse retirada qualquer mercadoria, que supostamente se destinava à merenda escolar, a prefeitura pagou o valor total da compra, através do cheque de nº 000024 do Banco do Brasil, em Apucarana.
A suspeita de desvio foi reforçada a partir de fato ocorrido no dia 23 de dezembro, quando Ana Maria Pereira, funcionária do Centro de Promoção Humana São Benedito (Ceprhusb), entidade criada e dirigida há vários anos por Valter Pegorer, retirou no Supermercado Panorama um total de mil cestas de Natal, no valor de R$ 14.454,08.
As cestas foram entregues mediante recibo assinado pela funcionária do Ceprhusb, utilizando o crédito que havia sido pago pela prefeitura, com o dinheiro da merenda escolar. Para a Assessoria Jurídica do Município, o ex-prefeito infringiu a lei, considerando que os recursos da FAE destinam-se e exclusivamente aos alunos da rede pública de ensino.
Ao ser interpelado pela Secretaria de Educação do Município, acerca do crédito a que tinha direito, o proprietário do supermercado alegou que havia recebido instruções do ex-prefeito Valter Pegorer, no sentido de que as marcadorias só poderiam ser retiradas mediante apresentação de requição do Ceprhusb. O município tinha mais R$ 48 mil de crédito no supermercado.
Na conclusão da denúncia formulada pela Assessoria Jurídica do Município, e encaminhada à promotoria, o ex-prefeito é acusado de apropriação indébita de dinheiro público, e desvio de finalidade do convênio.
O ex-prefeito Valter Pegorer não foi encontrado ontem para falar a respeito do caso. Funcionários do Ceprhusb informaram que ele estava em Curitiba.

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