São Leopoldo, RS- O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul, com o auxílio da polícia, fez ontem uma devassa nos gabinetes da Câmara de São Leopoldo, retirando 30 computadores e documentos, que foram levados para Porto Alegre, onde serão analisados por uma equipe de promotores. Na ação, a Casa foi isolada pelos procuradores e policiais. Será investigado um suposto esquema de pagamento de propina a nove vereadores da legislatura anterior, que aparecem recebendo dinheiro na sala da presidência, em gravações feitas em seis fitas VHS, no segundo semestre de 2000, entregues no dia 3 à Promotoria Especializada Criminal do MP.
Quase todos os envolvidos, agraciados com quantias que variavam de 500 reais a R$ 2.500,00, continuam na vida pública. Os vereadores Adão dos Santos (PMDB), Valmor Tavares (PL) e Jorge da Silva (PTB) foram reeleitos. Os ex-vereadores João Palharini (PTB) e Fernando Fusquine (PMDB) dirigem órgãos públicos. Os ex-parlamentares Ângelo Magro (PMDB) e Fernando Antônio Henning Júnior (PMDB) são secretários, respectivamente, da Zona Leste e de Educação e Cultura da prefeitura. Juvenal Garcia (PTB) é suplente de vereador e Emílio Diniz integra a Executiva Municipal do PSB.
As imagens foram gravadas pelo então assessor especial da presidência do Legislativo, Mário D'Ávila, enquanto ele mesmo fazia o pagamento, em dinheiro. No dia 27, dizendo sentir-se pressionado, D'Ávila entregou os registros ao vereador Alexandre Roso (PHS). Com isso, Roso passou a receber ameaças anônimas, por telefone, pediu proteção à polícia, desistiu da candidatura a deputado estadual e encaminhou o material ao MP, que iniciou a apuração.

mockup