O procurador de Justiça, Munir Gazal, enviado a São Miguel do Iguaçu pela Promotoria Especial de Proteção ao Patrimônio Público do Ministério Público estadual, terminou ontem as investigações no município sobre denúncias contra o prefeito do município, Armando Luiz Polita (PMDB). O acusado apresentou documentos, negou que houvesse irregularidades em sua administração e disse que a manifestação promovida em frente ao Fórum da cidade, na segunda-feira, foi ‘‘armação política dos adversários’’.
A equipe de Gazal analisou ontem os quatro depoimentos já colhidos e decidiu dar continuidade às investigações em Curitiba. ‘‘Fica difícil trabalhar com manifestações assim. Protestos prós e contras jamais mudarão a decisão do Ministério Público’’, criticou Gazal, referindo-se ao tumulto ocorrido durante a tarde de anteontem.
Segundo o advogado que acompanha o caso, Ijair Vamerlat, foram apontadas cinco acusações: superfaturamento na pavimentação asfáltica, repasse irregular de verbas públicas às associações de pais e mestres (APMs), gastos excessivos de combustível, irregularidades na contratação de 50 mil exames laboratoriais para uma população de 24,3 mil habitantes e falsificação de requisições médicas.
‘‘Sobre a principal acusação, apresentamos estatísicas provando que a cidade precisaria de 140 mil exames. Em seguida, mostramos que apenas 42 mil requisições foram feitas e ainda provamos que Aires Gasparino (proprietário do laboratório que venceu a licitação) foi secretário de Saúde apenas oito meses depois da concorrência pública’’, explicou Vamerlat, rebatendo as denúncias apresentadas pelo promotor de Justiça de São Miguel, Haroldo Nogiri.
O Ministério Público local havia apurado que diversas requisições tiveram as assinaturas falsificadas. O médico Marco Aurélio Farinazzo, por exemplo, declarou que apenas um entre cinco documentos foi assinado por ele.
O promotor da área cível que vai acompanhar o andamento das investigações na capital, Arion Pereira, destacou que dois processos paralelos podem ser abertos caso sejam comprovadas as denúncias. Um tramitará em Curitiba, enquanto outro ficará sob os cuidados da promotoria local.

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