O Ministério Público Estadual (MP) quer cassar a liminar que garante aos advogados do PFL acesso irrestrito aos documentos que compõem a investigação sobre suspostas irregularidades na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). Hoje, os promotores devem entrar com um recurso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para tentar reestabelecer o sigilo sobre os próximos depoimentos.
Além do recurso, os promotores solicitaram na quarta-feira ao juiz da 1 Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral, que reconsiderasse a sentença que concedeu a liminar que quebra o sigilo da investigação para os advogados do prefeito e do PFL. Espedito do Amaral espera uma manifestação do advogado José Cid Campêlo, que representa Cassio, para julgar o pedido do MP.
Campêlo foi intimado por Espedito do Amaral para pronunciar-se a respeito de um despacho administrativo que, para o juiz, já atenderia à solicitação dos advogados do prefeito. ''Há um despacho do Ministério Público que permite à defesa do prefeito acompanhar os depoimentos e tirar cópias do processo. Creio que nesse caso, a liminar perde o efeito'', analisa Espedito do Amaral.
Campêlo discorda da argumentação do juiz eleitoral. O despacho só permite acesso aos depoimentos e documentos que forem disponibilizados pelos promotores, enquanto os advogados do prefeito querem acesso ao conteúdo integral dos autos que compõem a investigação.
''Além disso, os promotores afirmam no despacho que é um procedimento meramente investigatório, e não necessita de defesa por parte do prefeito. Na verdade, o procedimento está sendo levado de maneira acusatória e condenatória, pelos depoimentos dos promotores à imprensa. Se perguntarmos pra qualquer um na rua, vão dizer que o Cassio é culpado'', argumenta Campêlo.
Ontem, duas testemunhas prestaram depoimentos ao MP. Os promotores pretendem ouvir até o final do mês as 23 pessoas que supostamente teriam assinado recibos de prestação de serviços na campanha de Cassio. O teor dos depoimentos e o nome das testemunhas não foram divulgados. ''Mas posso adiantar que foram muito esclarecedores'', afirmou a promotora Margareth Ferreira, que acompanha o caso.
Os testemunhos não foram acompanhados pelos advogados do PFL. O MP indeferiu um requerimento de Cid Campêlo, que solicitava que a defesa do prefeito fosse alertada quando ocorresse um depoimento. ''O requerimento não tinha o mínimo amparo legal'', afirmou a promotora.

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