Os promotores Bruno Galatti, Cláudio Esteves e Solange Novaes Vicentin – principais responsáveis pelas investigações do chamado escândalo AMA-Comurb – foram arrolados como testemunhas pelo procurador-geral da República, Mário Ferreira Leite, no pedido de inquérito encaminhado ontem à Polícia Federal. O pedido de inquérito é contra o doleiro londrinense Alberto Youssef, acusado de movimentar contas fantasmas e o suposto esquema teve o envolvimento de laranjas e funcionários do Banestado.
A movimentação ilegal atribuída a Youssef seria de aproximadamente R$ 150 milhões. Nenhum dos promotores quis falar sobre o fato de terem sido arrolados como testemunhas. ‘‘Não iremos fazer qualquer comentário’’, afirmaram Bruno Galatti e Solange Vicentin.
O procurador determinou que a Polícia Federal instaure dois inquéritos e indicie Alberto Youssef e mais cinco ex-funcionários do Banestado. O pedido é para que os ex-funcionários e o doleiro sejam indiciados por crime contra o sistema financeiro (lei 7.492/86)
A medida do procurador foi embasada no caso da empresa Freitas & Dutra, em cuja conta teria sido depositado um cheque de R$ 120 mil. Os recursos teriam sido desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) por meio de licitação fraudulenta. O procurador também teria tomado como base a ação penal contra o doleiro movida pelo Ministério Público (MP) Estadual e que tramita na 4ª Vara Criminal de Londrina.
O procurador também pediu para que Youssef seja indiciado por sonegação fiscal, caso fique provado que o doleiro foi beneficiado com os recursos desviados. Junto ao pedido, a procuradoria anexou documentos que teriam indícios sobre o envolvimento de Youssef com a conta da Freitas & Dutra.
O delegado-chefe da Polícia Federal de Londrina, João Luís do Prado, disse que o pedido da procuradoria chegou ontem à tarde. Hoje ele pretende encaminhar a documentação ao delegado Sandro Roberto Viana dos Santos, que irá presidir os inquéritos. O delegado Sandro informou ontem que não tinha conhecimento sobre o fato dos promotores terem sido arrolados como testemunhas porque ainda não havia recebido o ofício da Procuradoria da República.
Solange Vicentin, Esteves e Galatti atuam em diversos processos que envolvem o esquema de lavagem de dinheiro. Por estarem arrolados como testemunhas, eles podem eventualmente ser considerados ‘‘suspeitos’’ pela defesa de envolvidos.
Na opinião do criminalista Walter Bittar, os promotores poderiam prestar depoimento nos inquéritos da PF na condição de informantes e não como testemunhas. ‘‘A testemunha tem que prestar um compromisso legal. O informante não precisa prestar esse compromisso porque pode ser parte interessada ou não ter condições de dar uma informação isenta dos fatos’’, analisou. Ele lembrou que os promotores são partes de um processo e representam o Estado contra Youssef. ‘‘A defesa pode arguir no futuro a parcialidade desse depoimento.’’

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