Brasília - O ex-procurador-geral do Distrito Federal Leonardo Bandarra e a promotora Deborah Guerner responderão a uma segunda ação penal no Tribunal Regional Federal da 1 Região. Ontem, a Justiça Federal recebeu denúncia contra ambos pelos crimes de violação de sigilo profissional, concussão e formação de quadrilha. Pelos crimes de concussão e formação de quadrilha, também responderão a ação penal a servidora pública Cláudia Marques e Jorge Guerner, marido de Deborah.
Bandarra e Deborah Guerner foram denunciados por vazar informações sigilosas de uma das mais importantes investigações do Ministério Público no Distrito Federal: a Operação Megabyte, que apurou o desvio de R$ 1,2 bilhão dos cofres públicos. A investigação, feita em 2008, atingiu Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e delator do esquema do ''mensalão do DEM'', cuja descoberta acabou por derrubar o ex-governador José Roberto Arruda.
De posse das informações sigilosas, Durval Barbosa pôde destruir documentos que seriam importantes para a continuidade das investigações. Em troca das informações, os promotores teriam exigido R$ 1 milhão de Durval. Cláudia Marques teria feito, conforme a denúncia, a intermediação entre Bandarra, Guerner e Durval. Jorge Guerner faria parte do grupo e das negociações.
A denúncia contra Cláudia Marques e o casal Guerner foi recebida por unanimidade. Apenas uma desembargadora - Maria do Carmo Cardoso - votou contra a abertura da ação penal contra Bandarra. Três desembargadores não participaram do julgamento.
Bandarra e o casal Deborah e Jorge Guerner já respondem a outra ação penal na Justiça Federal. Eles foram denunciados por extorquir o ex-governador José Roberto Arruda. De acordo com as investigações, eles teriam exigido R$ 2 milhões de Arruda para não divulgarem o vídeo em que o ex-governador aparece recebendo dinheiro das mãos de Durval Barbosa, no esquema descoberto durante a operação Caixa de Pandora.
Bandarra responde ainda a uma terceira ação penal. Ele foi denunciado por ter supostamente pressionado um colega de Ministério Público a não denunciar um ex-comandante da Polícia Militar de Brasília, atendendo a interesses de Arruda.
Em razão de todas as denúncias e suspeitas, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovou, em maio, a demissão de Bandarra e Deborah Guerner.

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