Promotores ligam deputado à morte de Celso Daniel
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quarta-feira, 19 de maio de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Promotores do Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional de Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) em Santo André (SP) enviaram, ontem, uma representação ao procurador-geral do Estado de São Paulo, Rodrigo César Rebello Pinho, na qual acusam o deputado estadual Donisete Braga, do PT, de participação na morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002.
Segundo a representação, registros da movimentação do telefone celular de Braga demonstram que ele esteve, no dia do crime, na região em que foi achado o corpo de Daniel. Na mesma região - municípios de Embu e Itapecerica da Serra - fica o local onde o prefeito foi mantido em cativeiro. O veículo utilizado no sequestro também foi abandonado na área.
O deputado nega ter estado na região. Diz que, na data, esteve no Palácio dos Bandeirantes, em reunião com o governador, e que as antenas de Embu e Itapecerica poderiam ter captado seu telefone naquele local. A tese é contestada, segundo os promotores, pela empresa de telefonia, que diz que a possibilidade de isso acontecer é ''praticamente nula''.
O Ministério Público diz ainda que a quebra do sigilo bancário de Braga ''propiciou a verificação de movimentação financeira entre o deputado e o réu Sérgio Gomes da Silva''. Gomes da Silva estava com Daniel no momento em que o prefeito foi sequestrado e é apontado pela promotoria como um dos mandantes do crime.
A teoria do Ministério Público é de que o prefeito de Santo André foi assassinado depois de descobrir um esquema de corrupção na prefeitura. Gomes da Silva seria um dos participantes deste esquema. A representação enviada ao procurador-geral busca mostrar ligações financeiras entre ele e Donisete Braga.
Como o acusado é deputado estadual, apenas o procurador-geral poderia apresentar denúncia contra ele. A representação tem como objetivo enviar ao procurador-geral o resultado das investigações e sugerir a denúncia.
A reportagem entrou em contato com o gabinete do deputado Donisete Braga, mas não pôde falar com ele. Sua assessoria informou que entraria em contato para se posicionar sobre as acusações, o que não ocorreu até as 17h.


