A promotora Failde Mendonça, da 8ª Vara Criminal de Maceió, vai reabrir as investigações sobre as mortes de Paulo César Farias, o PC, e Suzana Marcolino. Failde espera apenas receber a documentação com as explicações técnicas contidas no laudo complementar, divulgado anteontem pelos legistas Daniel Munhoz e Genival Veloso de França. Segundo a promotora, o laudo complementar reforça a sua desconfiança sobre a versão original, de crime passional, defendida pela polícia alagoana e pela equipe do legista Fortunato Badan Palhares.
Para a promotora, o laudo complementar se aproxima muito mais da versão de duplo homicídio do que homicídio seguido de suicídio. Com base nas novas informações, a promotora começa na próxima semana a colher novos depoimentos de pessoas envolvidas no caso.
Palhares O médico-legista Fortunato Badan Palhares, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), contestou ontem os resultados dos novos exames feitos por uma equipe de legistas e peritos criminais que contrariam suas conclusões sobre a morte de Paulo César Farias e sua namorada, Suzana Marcolina da Silva.
O laudo apresentado pelo professor de Medicina Legal da USP (Universidade de São Paulo) Daniel Romero Mu¤oz aponta duplo homicídio. ‘‘Em nenhum momento o laudo deles apresenta alguma prova concreta que contrarie o nosso’’, disse Palhares. Para o legista da Unicamp, a altura de Suzana descrita no novo laudo - 1,57m - está equivocada. Para precisar a altura da namorada de PC Farias, Palhares utilizou uma pessoa com 1,66m. Segundo o prontuário de identificação de Suzana, apresentado por Palhares, ela teria 1,67m.
‘‘A diferença de dez centímetros compromete os resultados, pois projeta o local da perfuração e a trajetória de forma errada’’, disse. O legista também rebateu a contestação do laudo de Mu¤oz de que seria impossível não haver impressões digitais na arma do crime. ‘‘Havia, sim, fragmentos de impressões, mas era impossível identificar a quem pertenciam’’, afirmou Palhares. O legista também criticou a técnica utilizada pela equipe do professor Mu¤oz para comprovar a existência de impressões.
Mu¤oz fez um teste em que 20 pessoas carregaram e dispararam uma arma semelhante à que foi encontrada no quarto de PC Farias, na casa de praia de Maceió (AL). ‘‘Isso não tem nenhuma validade científica, porque você induz as pessoas a segurarem dessa ou daquela forma a arma’’, disse.

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