Promotora pede prisão de fiscais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Das agências 
Rio de Janeiro A promotora da 38 Vara Criminal do Rio, Ana Paula Cardoso, pediu ontem à Justiça do Rio a prisão temporária por cinco dias dos fiscais de renda Rodrigo Silveirinha Côrrea, Lúcio Manoel Picanço, Rômulo Gonçalves e Carlos Eduardo Pereira Ramos. Os quatro estão sendo investigados por suposto envio ilegal de US$ 36 milhões para a Suíça. A decisão sobre o pedido deve ser tomada hoje.
Ao decidir pedir a prisão temporária dos suspeitos, a promotora atendeu a uma representação da CPI da Assembléia Legislativa. Em seu despacho, ela disse que ''delineia-se, através da investigação policial, a existência de uma organização criminosa cuja sede de atuação é a Secretaria Estadual de Fazenda''. Em sua decisão, Ana Paula levou em conta ainda o fato de os fiscais nunca serem encontrados nos endereços que foram apresentados à Justiça e à polícia.
''Os requeridos (os fiscais) estão, dolosamente, se ocultando, recebem citação/intimação quando e onde querem, logo a atividade juridiscional não pode ficar à mercê de seu alvedrio'', afirmou a promotora no despacho. A promotora informou não ter elementos suficientes para pedir a prisão do fiscal Júlio César Nogueira, que seria procurador da conta na Suíça do irmão, o auditor da Receita Amaury Nogueira.
Além dos cinco fiscais, oito auditores da Receita Federal também são suspeitos de participar do desvio de dinheiro ilícito para a Suíça.
O advogado dos fiscais acusados do desvio de verbas do governo do Rio, Clóvis Sahione, considerou o pedido de prisão feito pela promotora Ana Paula Cardoso ''uma desnecessidade, uma injustiça''.
O criminalista argumentou que as três situações que justificam o pedido preventivo não se justificam : ''Não há proximidade de fuga, é impossível. Não há coação de testemunha porque nem existe testemunha. E, se há comoção social, eles têm de ficar com suas famílias para protegê-las.''
.


