Promotora é presa acusada de corrupção
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Leandro Colon <br> Agência Estado 
Brasília - O esquema de corrupção no Distrito Federal, conhecido como ''mensalão do DEM'', colocou ontem um integrante do Ministério Público (MP) na cadeia. A promotora de Justiça Deborah Guerner e seu marido, o empresário Jorge Guerner, foram presos pela Polícia Federal (PF) em Brasília. Em um relatório de 86 páginas, o Ministério Público Federal (MPF) pediu a prisão preventiva dos dois sob a alegação de que estão atrapalhando as investigações com documentos falsos e viajaram ao exterior sem pedir autorização à Justiça.
O pedido de prisão foi deferido na noite de terça-feira pela desembargadora Mônica Sifuentes, do Tribunal Regional Federal da 1 Região. Segundo o documento, Deborah, ao fingir ter problemas mentais, tenta ''induzir'' o Ministério Público e a Justiça ao erro e fere a ''credibilidade'' das instituições públicas.
Os dois estão presos na Superintendência da PF e seus advogados já entraram com pedido de habeas-corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A promotora é o braço do Ministério Público do DF no esquema de corrupção local, desmantelado em novembro de 2009 na Operação Caixa de Pandora. Ela e o colega Leonardo Bandarra, ex-procurador-geral (cargo que chefia os promotores locais), são acusados de cobrar propina do ex-governador José Roberto Arruda para garantir a proteção do Ministério Público ao seu governo. Arruda, aliás, chegou a passar dois meses preso em 2010. Deborah ainda teria agido, como promotora, para ajudar o marido nos negócios de coleta de lixo no governo do DF.
A prisão ocorrida ontem vinha sendo planejada pelos investigadores desde que descobriram, no ano passado, gravações, até então plastificadas e enterradas num jardim da casa da promotora, em que Deborah e médicos combinam a elaboração de documentos falsos para ela alegar problemas mentais e atrapalhar os processos. O estopim do pedido de prisão foi a viagem que ela e o marido fizeram à Itália no começo deste mês.
O Ministério Público Federal, sob a coordenação do procurador Ronaldo Albo, monitorou os passos do casal e confirmou que eles não pediram autorização à Justiça nem informaram nada sobre a viagem ao exterior. A Polícia Federal chegou a gravar o casal embarcando, com dezenas de malas. Os investigadores receberam informações de que a dupla planejava sair do Brasil novamente nos próximos dias.
Segundo o pedido de prisão, Deborah e seu marido, apesar de saberem da investigação em curso, não pararam de praticar crimes, o que poderia atrapalhar o andamento dos trabalhos. Além da prisão, Deborah foi denunciada junto com dois médicos por formação de quadrilha, fraude processual e uso de documento falso. O advogado dela, Pedro Paulo de Medeiros, disse que a prisão não tem ''embasamento''. Ele negou que o casal estivesse planejando deixar o País.
Além das investigações em andamento, e das denúncias já protocoladas, Deborah e Bandarra respondem a processo administrativo no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), onde podem perder o cargo de promotores.
Caixa de Pandora
O escândalo do ''mensalão do DEM'' foi desmantelado em 2009, na Operação Caixa de Pandora. O delator do esquema de corrupção, Durval Barbosa, entregou vídeos em que entregava propina a políticos, entre eles Arruda e a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF). O dinheiro, segundo Durval, é oriundo de contratos de informática do governo do DF. Um inquérito sobre o ''mensalão do DEM'' tramita no STJ sob a condução da Procuradoria-Geral da República, mas até agora não saiu denúncia contra os acusados. Já a investigação sobre Deborah Guerner, seu marido e Leonardo Bandarra está mais avançada. É comandada pela Procuradoria Regional da República no TRF, onde os dois promotores podem ser processados.


