Curitiba - A promotora afastada de Antonina, Maria Aparecida Mello da Silva, compareceu ontem à Assembléia Legislativa para denunciar publicamente o que ela classifica de perseguição política dentro do Ministério Público (MP) do Paraná. De acordo com a promotora, um grupo político dentro do MP, encabeçado pela atual procuradora-geral de Justiça, Maria Teresa Uille Gomes, e pelos ex-ocupantes do cargo Gilberto Giacóia e Marco Antonio Teixeira estaria discriminando os promotores que não lhe prestam apoio.
As denúncias de Maria Aparecida tornaram-se alvo de investigações do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, um órgão da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do governo federal, conforme a Folha já publicou em matéria na semana passada. Segundo a promotora, a perseguição começou em 1993, após ela ter negado um pedido de aposentadoria a uma pessoa que tinha ligação com o grupo. ''Na época, nem quis saber o nome da pessoa. Apenas avisei ao Marco Antonio Teixeira que não faria aquilo. Nos últimos oito anos em que esse grupo assumiu o controle do MP, não tive mais condições de trabalhar'', reclamou.
Segundo Maria Aparecida, a perseguição mais grave ocorreu quando ela estava lotada em Antonina, em 2000. Na ocasião, a promotora havia feito uma série de denúncias contra a prefeita da cidade então candidata à reeleição, Munira Peluso (PST), incluindo irregularidades em licitações e compra de votos através de distribuição de cestas básicas. Maria Aparecida também denunciou a compra de votos na eleição para a presidência da Câmara Municipal, que segundo ela teria sido mediada pelo deputado do PPS Marcos Isfer (leia texto nesta página).
O MP nega perseguição. Com a proximidade do período eleitoral, Maria Aparecida foi afastada pelo MP, que entendeu que devido às denúncias feitas pela promotora, ela não teria isenção para analisar questões eleitorais envolvendo a prefeita de Antonina. Após a eleição, a promotora não retornou à comarca do Litoral, entretanto. Segundo ela, por não ter pedido seu afastamento, ela sofreu um procedimento administrativo e foi removida para São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo informações do MP, Maria Aparecida continua lotada oficialmente em Antonina.

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