Paulo Pegoraro
De Cascavel
O procurador da República em Cascavel, Celso Antônio Três, não aceita o que classifica como tentativa de impor um ‘‘cala-boca’’ ao Ministério Público, Judiciário, Polícia e outros órgãos públicos, pelo projeto da Câmara Federal. Reconhecido como um dos maiores especialistas em investigações sobre lavagem de dinheiro, Celso Três tem provocado a ira de investigados, que o acusam de expô-los publicamente sem que tenham sido condenados.
O procurador, no entanto, afirma ter sido alvo de ‘‘inúmeras representações’’, mas nenhuma delas resultou em sua penalização, ‘‘porque não vou além do que está nos autos, e não atinjo indevidamente a honra de quem quer que seja’’.
Três acha que o texto preliminarmente aprovado na CCJ ‘‘é muito melhor do que original’’, mas ainda assim faz restrições gerais. Ele observa que os parlamentares deveriam se preocupar com dispositivo que impedisse promotores de se candidatar a cargos eletivos, assim como ocorre com juízes, ‘‘para que nunca escorregassem e buscassem autopromoção para tentar se eleger’’. No entanto, noticiar os processos, ‘‘é fundamental para sua própria lisura’’.
O procurador lembra que, nos Estados Unidos, isso ocorre abertamente, inclusive com emissoras de tv transmitindo sessões de tribunais, e cita ainda os casos do lutador Myke Tison, acusado de estupro, e do presidente Bill Clinton, no caso envolvendo Mônica Levinsky.

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