Promotor rebate críticas de vereador do PT
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sexta-feira, 02 de setembro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O promotor da 41 Zona Eleitoral de Londrina, Miguel Jorge Sogaiar, rebateu ontem à tarde com pareceres emitidos por ele em 2004 contra partidos como PSL, PSDB, PRTB e o próprio PT as críticas de que não estaria sendo isento no inquérito que apura denúncia de sonegação na campanha petista.
Na terça-feira, o advogado do PT em Londrina, João dos Santos Gomes Filho, afirmou em entrevista coletiva que tanto a Polícia Federal (PF) quanto o Ministério Público (MP), representado aqui por Sogaiar, estariam agindo de forma política e não jurídica na investigação. Anteontem, o vereador Gláudio Renato de Lima, ex-líder do Executivo na Câmara, falou em Plenário contra o promotor. Na ocasião, Lima questionou se os tucanos não estariam apoiando o MP, fazendo menção a uma representação eleitoral da coligação petista Bem Londrina, ano passado, contra o Partido Verde (PV), do então prefeiturável Naudemar Nascimento.
Na representação, o grupo de Nedson Micheleti acusava o PV de receber doação em dinheiro de outro partido para inserções em rádio e televisão, no argumento que não foi aceito pelo promotor. No parecer emitido por ele em 18 de novembro de 2004, Sogaiar avaliava como ''descabida'' a alegação dos petistas sobre doação de um partido para outro, uma vez que a doadora não se trata de entidade pública. Além do que, explicou, o PT não teria apresentado provas que justificassem a procedência do pedido de investigação.
Na Câmara, Lima que até ontem estava com o processo em mãos negou que quisesse desviar o foco das atenções, voltados desde o início de agosto para as denúncias da ex-assessora financeira Soraya Garcia. Questionado sobre as razões de trazer à tona um processo arquivado ano passado, resumiu: ''Só tomei conhecimento desse fato agora. Fiz um relato (em Plenário) porque sou parlamentar e tenho eleitorado petista'', definiu. Lima não considera ''moral'' o fato de um partido fazer doações a outro.
Ontem, Sogaiar convocou a imprensa e lamentou as declarações do vereador, ao usar, classifica ele, uma ''tática antiga e ilusória'' de se deslocar a atenção para outro fato ou outras pessoas, em vez de meramente defender o partido. ''Vale lembrar também que a denunciante (Soaraya) é filiada ao PT, e os motivos pelos quais ela está fazendo as acusações são dela, não temos nada a ver com isso. Tenho total tranquilidade e consciência de que na função de promotor atuei com isenção e independência'', argumentou.
Nos esclarecimentos, Sogaiar fez questão de apresentar pareceres emitidos por ele durante o período eleitoral favoráveis e contrários tanto ao PSL, então de partido de Antonio Belinati (hoje no PP), quanto ao PSDB (de Luiz Carlos Hauly) e mesmo a candidatos a vereador dessas e outras siglas. ''Não é porque hoje temos um inquérito onde o PT está sendo questionado que há qualquer predisposição nossa contra o PT; ninguém sequer o condenou. O vereador foi infeliz nas colocações'', ponderou.
Questionado sobre o inquérito contra o PV, o promotor sustentou a falta de provas na representação petista. Complementou que, no decorrer do processo, o próprio PT fez um pedido de desistência da investigação, em audiência feita em 26 de outubro passado entre Sogaiar, o juiz da 41 , e representantes e advogados do PT e do PV, que não aceitou, assim como o MP, o pedido de desistência. ''A coligação sequer recorreu do arquivamento proposto pela promotoria'', comentou.


