Promotor reage e diz que acordo foi tendencioso
Promotor reage e diz que acordo foi tendencioso Promotores públicos que acompanharam o depoimento do secretário Cândido Martins de Oliveira, avaliaram como tendencioso o desfecho dado pelos deputados federais que compõem a CPI do Narcotráfico. O promotor Paulo Kessler, da Promotoria de Investigações Criminais, saiu irritado do plenarinho da Assembléia Legislativa, onde o secretário respondia às perguntas. Por que os deputados não o indagaram com tanta profundidade como fizeram com as outras pessoas convocadas?, questionou. Kessler disse que acompanhou todos os passos da CPI e elogiou a atuação dos parlamentares até o desfecho. A CPI trouxe um encorajamento à população e até a pessoas envolvidas, considerou. Mas os adjetivos favoráveis pararam por aí. O sentimento era de decepção após ouvir as perguntas feitas a Cândido Martins. Na avaliação do promotor, a etapa final da CPI não traduziu os verdadeiros objetivos. Parece-me que o secretário se saiu com as mesmas evasivas que foram devidamente exploradas durante o depoimento das testemunhas e convocados, disse Kessler. Kessler sugeriu que Candinho faça uma avaliação de si mesmo e de sua atuação como secretário. Quando em três dias, com meia duzia de testemunhas, se chega a este quadro, é necessário se questionar, sugeriu o promotor. Durante seu depoimento à CPI, Cândido Martins disse que quando teve o quadro completo do estrago feito pelas denúncias surgidas durante os depoimentos, reuniu assessores das Polícias Militar e Civil para tomar uma posição conjunta. Disse para que todos briguem pela reconstrução da Polícia do Paraná. Temos de juntar os cacos e recomeçar tudo de novo. Tenho uma reserva de dignidade para reconstruir essa imagem, pregou. O secretário admitiu deficiências no controle da máquina e reclamou da falta de investimentos do governo federal. Cândido Martins disse que a postura assumida por Ricardo Noronha, homem de sua confiança, o decepcionou profundamente. Foi um constrangimento muito grande, com uma certa dose de revolta, classificou o secretário. (Leandro Donatti e Carmem Murara)





