O Ministério Público de Maringá revelou ontem que o rombo provocado nos cofres da Prefeitura é bem maior do que a própria promotoria imaginava. Só em uma conta investigada pelo MP foram encontrados mais de R$ 30 milhões, dez vezes mais que o valor inicial apontado na ação de improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (sem partido), e o ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi. Desde que as investigações começaram, em abril do ano passado, o MP ‘‘busca’’ o dinheiro público de Maringá em contas e negócios espalhados por todo o País.
Segundo o promotor José Aparecido Cruz, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, o MP ainda não conseguiu descobrir como funcionava o esquema montado por Paolicchi para esconder da contabilidade do município os desvios de dinheiro. Cruz questionou também como o Tribunal de Contas do Paraná não conseguiu detectar nos últimos 12 anos (três gestões municipais) os desmandos nos cofres de Maringá e ainda ter aprovado as contas. O Ministério Público não poupou nem os vereadores da cidade. ‘‘Onde estiveram os 21 fiscais do povo de Maringᒒ, questionou o promotor.
Paolicchi era servidor público de Maringá desde 1986 e durante as últimas três gestões sempre exerceu cargo de chefia na Secretaria de Fazenda, como responsável pela pasta ou diretor. Cruz afirmou que esteve no Tribunal de Contas mas não conseguiu encontrar respostas convincentes sobre os desvios que ocorreram em Maringá. ‘‘A população de Maringá vai ficar estarrecida quando descobrir ao final das investigações do MP o valor levado dos cofres da prefeitura’’, acrescentou Cruz. O promotor criticou ainda o fato de o TC ter aprovado recentemente - ‘‘e no calor dos fatos’’ - as contas de 1992 da gestão do ex-prefeito Ricardo Barros (PPB).
As declarações do promotor foram dadas ontem durante um ato público em defesa do Ministério Público. Cruz foi aplaudido de pé no Tribunal do Júri do Fórum de Maringá. O evento reuniu entidades da sociedade civil para protestar contra a Medida Provisória 2.088, de 27 de dezembro do ano passado, em que o governo federal instituiu um sistema considerado de ‘‘mordaça’’ às ações do MP. ‘‘Como está difícil de contar com a fiscalização de TCs e de vereadores, o MP é hoje um dos únicos representantes do povo’’, lembraram os representantes das entidades.
Durante os discursos de apoio ao MP, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Maringá, Lélis Vieira, pediu a presença ‘‘nas manifestações de praça pública’’ do Ministério Público e do Poder Judiciário, para ‘‘encorajar o povo de Maringá no combate à corrupção’’.

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