Promotor pode denunciar hoje desvios em Cascavel
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2000
Gilmar AgassiDe Cascavel 
O promotor Wilson Galheira pode oferecer hoje denúncia contra o desvio de dinheiro do Instituto de Previdência do Município de Cascavel (IPMC). O relatório da comissão de sindicância confirmou irregularidades ocorridas na autarquia da prefeitura. Só depois de oferecer a denúncia é que o Ministério Público (MP) vai pronunciar-se a respeito do assunto.
A Associação Médica de Cascavel (AMC) decidiu em assembléia, realizada na sexta-feira, suspender o atendimento a funcionários municipais assistidos pelo IPMC. Os médicos tomaram esta decisão depois de terem sido comprovadas as irregularidades no instituto.
O presidente da AMC, Luiz de Castro Bastos, enviou um ofício ao presidente do IPMC, José Jesus Lopes Viegas, informando sobre a decisão de suspensão, por tempo indeterminado, do atendimento eletivo aos conveniados. Apenas os casos em regime de urgência serão atendidos, acrescenta Bastos.
Os médicos reclamam que desde 24 de abril deste ano, através de um ofício, haviam alertado o prefeito Salazar Barreiros (PPB) das dificuldades da classe em receber os honorários médicos. O prefeito contestou essa afirmação dizendo que não recebeu nenhuma correspondência da AMC. A Associação Médica tem medidas políticas definidas e essas declarações do Bastos são no mínino inconsequentes, reclama Barreiros.
Barreiros disse que esteve no IPMC e constatou que o atendimento médico no local e em outros postos de saúde continuam normais. Nós temos médicos que recebem para atender aos servidores principalmente no instituto onde existem consultórios, esclareceu.
Quanto ao envolvimento de Viegas na troca de cheques por dólares, o presidente da AMC afirma que ele continua a merecer a confiança de todos e acrescentou: Para mim ele foi um inocente útil. O prefeito declarou que não existem motivos para o afastamento do presidente do IPMC, pois até o momento não houve provas de seu envolvimento.
Barreiros afirmou que não são apenas pessoas ligadas ao IPMC que estão envolvidas no caso. Os cheques eram nominais e quem recebeu os cheques e os descontou deveria ter noção do que estava fazendo, já que são empresas tradicionais em Cascavel, justifica.
A comissão que realizou a investigação no Instituto de Previdência constatou que 12 cheques que seriam utilizados no pagamento de credores foram trocados por dólares. No total foram desviados R$ 85.650,13, sendo o maior suspeito o ex-diretor do IPMC, Marco Aurélio Beck Lima. Barreiros conclui afirmando que se sente traído. Nunca pensei que alguém de minha confiança pudesse fazer algo assim.


