Curitiba - O promotor Javert Prado Martins Filho, de Pato Branco (Sudoeste do Paraná), pediu a prisão preventiva do ex-secretário-chefe da Casa Civil e ex-prefeito do município Alceni Guerra. A prisão foi fundamentada numa suposta obstrução do trabalho investigativo, já que Alceni estaria se recusando a depor na Justiça alegando motivos de saúde. Martins cita como exemplo as duas últimas audiências marcadas para os dias 14 e 21 de junho.
Além de não comparecer, Alceni teria anexado atestados médicos alegando estar sendo vítima de epistafe (sangramento nasal) e, portanto, necessitaria de um período de repouso por tempo indeterminado. Os atestados seriam assinados pelo otorrinopediatra Lauro João Lobo Alcântara. ‘‘Parece malandragem. Como um pediatra pode ter atendido o ex-secretário’’, questionou o promotor.
Martins alega ainda que no dia 15 de junho, um dia após a audiência marcada para esclarecer suposto superfaturamento em licitações públicas, Alceni participou ativamente da convenção do PFL. ‘‘Ele tem sido visto normalmente nas atividades políticas e cívicas. Só não pode comparecer nas judiciais’’, reclamou o promotor.
Alceni ainda manteria um programa diário na televisão que não foi suspenso durante o período em que ele, em tese, estava debilitado.
Alceni Guerra responde em Pato Branco cinco ações, duas criminais e três civis públicas. Além do suposto superfaturamento, existem ações relacionadas a publicidade indevida. O ex-prefeito teria distribuído irregularmente livretos e folhetos de promoção pessoal. Bem como o recebimento de um terreno que valia R$ 65 mil para quitar uma dívida de R$ 972 mil do Hospital Policlínica Pato Branco S/A, recebimento de títulos podres no valor de R$ 1,2 milhão para realização da obra da rodoviária municipal.
‘‘Alceni cometeu estelionato puro. A Justiça não pode ficar no descrédito. Estou fazendo a minha parte’’, acusou o promotor ontem. A juíza de Pato Branco, Saionara Sedano, tem 48 horas para julgar o pedido de prisão preventiva e emitir um parecer.

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