Promotor oferece prêmio por denúncia eleitoral
A campanha para a Câmara Municipal de Araguari, no Triângulo Mineiro, virou caso de polícia. A compra de votos tornou-se prática tão corriqueira que o promotor eleitoral Valdir Dias está oferecendo recompensa em dinheiro para quem denunciar os candidatos infratores.
O prêmio varia de R$ 100,00 a R$ 500,00 e será pago depois da eleição. O valor depende da gravidade da denúncia, que precisa ser efetivamente comprovada, avisa Dias. O bom cidadão merece ser premiado.
O anúncio agitou a temporada política na cidade, situada a 40 quilômetros de Uberlândia e a 630 de São Paulo. A disputa pelo voto é acirrada: há 169 candidatos a vereador para 17 vagas na Câmara, com salário de R$ 4.500 por apenas um dia de trabalho - já que as sessões ocorrem somente às terças-feiras. Criticado pelo PMDB, o promotor garante que a recompensa não sairá dos cofres do Ministério Público, mas, sim, de uma organização não-governamental (ONG) chamada Instituto MelhorAR, com sede em Brasília.
Vamos usar a estrutura dessa ONG para legalizar o pagamento dos prêmios, afirma Dias. O instituto vai arrecadar o dinheiro e quem fizer as doações terá recibo. Fundado há um ano, o MelhorAR atua em causas referentes à cidadania e controle da poluição. Não temos envolvimento político com ninguém e os compradores de votos podem ir pondo as barbas de molho, adverte o presidente da ONG, Ludmar de Oliveira, que passa 15 dias em Brasília e outros 15 em Araguari, onde tem família. Ele observa que empresários da cidade estão dispostos a colaborar com a Justiça.
Para Francisco Jorge de Sousa, delegado do PMDB, a atuação de Dias inibiu as campanhas de vereador. O promotor está dando aos candidatos o mesmo tratamento que se dava aos bandidos do velho oeste americano, reclama Sousa. O peemedebista promete encaminhar representação ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas Gerais, pedindo que o promotor seja proibido de oferecer recompensa ao cidadão que denunciar crimes eleitorais.





