O promotor de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Apucarana, Eduardo Augusto Cabrini, acusa o vereador Alcides Ramos Júnior (DEM), ex-presidente da Câmara Municipal, de ficar com a metade dos salários de quatro funcionários de confiança dele. Os valores recebidos por Alcides chegariam a R$ 177.950.
Na ação, datada do último dia 9, Cabrini também acusa três dos comissionados – Thiago Henrique Camotti, Henslei Rocha Burihan e Rachel Michele Weckvert Garcia – por peculato. Segundo a denúncia, o trio, contratado pela Câmara, trabalharia apenas para favorecer Alcides, em detrimento aos afazeres no Legislativo.
Ex-presidente entre 2011 e 2012, Alcides chegou a ser preso em fevereiro deste ano após denúncia eleitoral de desvios de verbas públicas de R$ 36,5 mil para uso na campanha de reeleição e quase foi impedido de assumir. Atualmente, está afastado da Câmara e uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) investiga sua gestão.
Pela nova denúncia do Ministério Público (MP), os ganhos dos servidores comissionados, no período em que foram contratados – entre janeiro de 2011 e dezembro de 2012 – promoveram o desvio de R$ 351.258,14. Isso porque, apesar de contratados pela Câmara, os três atuavam de forma a beneficiar pretensos eleitores de Alcides, diz o processo. As vantagens oferecidas iam de distribuição de alimentos e combustível à facilitação de consultas médicas na rede pública de saúde.
Responsável pela nomeação dos comissionados, Alcides exigia, segundo o MP, a metade dos salários do trio e da diretora administrativa Viviane Cristrina Vaz Zanoni. No caso da diretora, Alcides também teria ficado com metade dos valores pagos a título de indenização pela exoneração do cargo em período de estabilidade gerado por gravidez.
O advogado de Camotti, Sandro Bernardo da Silva, confirmou que os atos denunciados ocorreram e que foram confirmados por seu cliente para o benefício da delação premiada – que reduz a pena de quem colabora com as investigações. "Optamos por isso porque os fatos são irrefutáveis e quase sem chances de defesa."
Silva diz que Camotti trabalhava na Câmara e fazia o que o presidente pedia – em alguns casos, até mesmo a distribuição de alimentos para a população.
Ele também afirma que a divisão dos salários ocorreu porque Alcides ofereceu o cargo com a possibilidade de divisão dos proventos. "Para quem ganhava mil, passou a ganhar R$ 2.750 depois da divisão. Mesmo com a metade, o valor era maior."
Apesar de saber que a prática é ilegal, Camotti se submeteu, segundo o advogado, por necessidade.
Argumento semelhante é adotado por Viviane e Rachel na delação premiada, segundo o advogado delas, Danilo Freire. "Elas deixam bem transparente, no depoimento, que a situação se dava mediante a manutenção do emprego", afirma.
Ele nega, porém, que Rachel trabalhasse para benefício de Alcides com pagamento pela Câmara. "Ela trabalhava como assessora direta dele e tinha atividades normais de uma assessora de vereador. Não se envolveu com facilitações ou entregas de alimentos ou produtos", diz.
Procurado na tarde de ontem, Alcides não atendeu o telefone celular. Seu advogado para o caso também não retornou recado deixado em sua caixa postal.
A FOLHA não conseguiu contato com Henslei Rocha Burihan.

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