Promotor faz nova denúncia contra Alcides Ramos
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terça-feira, 13 de agosto de 2013
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
O promotor de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Apucarana, Eduardo Augusto Cabrini, acusa o vereador Alcides Ramos Júnior (DEM), ex-presidente da Câmara Municipal, de ficar com a metade dos salários de quatro funcionários de confiança dele. Os valores recebidos por Alcides chegariam a R$ 177.950.
Na ação, datada do último dia 9, Cabrini também acusa três dos comissionados Thiago Henrique Camotti, Henslei Rocha Burihan e Rachel Michele Weckvert Garcia por peculato. Segundo a denúncia, o trio, contratado pela Câmara, trabalharia apenas para favorecer Alcides, em detrimento aos afazeres no Legislativo.
Ex-presidente entre 2011 e 2012, Alcides chegou a ser preso em fevereiro deste ano após denúncia eleitoral de desvios de verbas públicas de R$ 36,5 mil para uso na campanha de reeleição e quase foi impedido de assumir. Atualmente, está afastado da Câmara e uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) investiga sua gestão.
Pela nova denúncia do Ministério Público (MP), os ganhos dos servidores comissionados, no período em que foram contratados entre janeiro de 2011 e dezembro de 2012 promoveram o desvio de R$ 351.258,14. Isso porque, apesar de contratados pela Câmara, os três atuavam de forma a beneficiar pretensos eleitores de Alcides, diz o processo. As vantagens oferecidas iam de distribuição de alimentos e combustível à facilitação de consultas médicas na rede pública de saúde.
Responsável pela nomeação dos comissionados, Alcides exigia, segundo o MP, a metade dos salários do trio e da diretora administrativa Viviane Cristrina Vaz Zanoni. No caso da diretora, Alcides também teria ficado com metade dos valores pagos a título de indenização pela exoneração do cargo em período de estabilidade gerado por gravidez.
O advogado de Camotti, Sandro Bernardo da Silva, confirmou que os atos denunciados ocorreram e que foram confirmados por seu cliente para o benefício da delação premiada que reduz a pena de quem colabora com as investigações. "Optamos por isso porque os fatos são irrefutáveis e quase sem chances de defesa."
Silva diz que Camotti trabalhava na Câmara e fazia o que o presidente pedia em alguns casos, até mesmo a distribuição de alimentos para a população.
Ele também afirma que a divisão dos salários ocorreu porque Alcides ofereceu o cargo com a possibilidade de divisão dos proventos. "Para quem ganhava mil, passou a ganhar R$ 2.750 depois da divisão. Mesmo com a metade, o valor era maior."
Apesar de saber que a prática é ilegal, Camotti se submeteu, segundo o advogado, por necessidade.
Argumento semelhante é adotado por Viviane e Rachel na delação premiada, segundo o advogado delas, Danilo Freire. "Elas deixam bem transparente, no depoimento, que a situação se dava mediante a manutenção do emprego", afirma.
Ele nega, porém, que Rachel trabalhasse para benefício de Alcides com pagamento pela Câmara. "Ela trabalhava como assessora direta dele e tinha atividades normais de uma assessora de vereador. Não se envolveu com facilitações ou entregas de alimentos ou produtos", diz.
Procurado na tarde de ontem, Alcides não atendeu o telefone celular. Seu advogado para o caso também não retornou recado deixado em sua caixa postal.
A FOLHA não conseguiu contato com Henslei Rocha Burihan.


