O promotor Antônio Winkert Souza, de Londrina, ofereceu denúncia contra o senador eleito Álvaro Dias (PSDB) por crime eleitoral. Ele acusou o tucano de ter infringido o artigo 350 da lei eleitoral ao apresentar documentos para transferência do domicílio eleitoral de Curitiba para Londrina. Winkert entendeu como crime ‘‘omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita para fins eleitorais’’. Álvaro viajou para os EUA. Seus advogados acreditam que a denúncia será rejeitada pela Justiça.
Ela foi oferecida no dia 28 de dezembro e resulta em notícia-crime protocolada em julho de 98, em Curitiba, por Miguel Bahry Filho. Ele pediu a impugnação da candidatura do tucano alegando que, ao transferir domicílio eleitoral, ele não teria comprovado residência no prazo exigido por lei e informado endereço falso. O pedido de impugnação foi arquivado pelo procurador regional eleitoral Luis Sérgio Langowski.
Souza anexou à denúncia fotos da casa vazia, localizada na rua Procópio Ferreira, 283, jardim Colúmbia, zona Oeste. Fotos e depoimentos de vizinhos constam do inquérito instaurado pela Polícia Federal. Os vizinhos confirmaram que a casa é de Álvaro, mas que ele não mora ali.
A dona-de-casa Maturina Avezedo do Carmo, 79 anos, que mora há um ano e três meses em frente à casa do tucano, disse que o senador nunca apareceu. ‘‘Eu nunca vi mais magro nem mais gordo. Só na TV’’. Segundo ela, Álvaro chegou a colocar à venda a casa de número 283 e a do lado (que não tem número e também seria de Álvaro), por R$ 75 mil cada. Elas têm 180 metros quadrados cada, quatro quartos, dois banheiros, sala, copa e cozinha.
O caseiro Paulo Sérgio Mazetto admitiu que é difícil Álvaro aparecer. ‘‘Antes da política ele vinha uma vez por semana, mas depois da eleição não veio mais’’, relatou. Apesar disso, Mazetto diz fazer faxina duas vezes por semana. O caseiro foi chamado para prestar depoimento na PF, assim como Pedro Lima, morador da casa da frente. ‘‘Eu falei a verdade: que ele não mora aqui. Agora você acha que senador vai vir morar nesse mato?’’, perguntou Lima. Na rua existem apenas cinco casas e o mato invadiu alguns terrenos.
O advogado de Álvaro, Antônio Acir Breda, ficou sabendo da denúncia através da Folha. ‘‘Se houve a denúncia da Promotoria, ela deve ser rejeitada porque o senador não cometeu nenhum ilícito ao transferir o título para Londrina. Inclusive o procurador regional eleitoral arquivou’’, explicou.
Em um dos itens da defesa preparada para a notícia-crime que pedia a impugnação do registro da candidatura do tucano, Breda alegou que o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que domicílio eleitoral não se confunde com domicílio civil.Paulo WolfgangSumidoPedro Lima, vizinho de Álvaro, em frente às duas casas do tucanoPatrícia Zanin

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