Promotor faz balanço de investigação sobre PT
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sexta-feira, 09 de setembro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
A promotora Édina Maria de Paula assume segunda-feira a 41 Zona Eleitoral e consequentemente, o acompanhamento do inquérito instaurado pela Polícia Federal (PF), que investiga supostas irregularidades nas contas da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT). A substituição de Miguel Sogaiar se deve a um rodízio anual entre os 27 promotores nas sete zonas eleitorais de Londrina.
''Nós temos um revezamento automático pela própria Procuradoria Geral de Justiça e pela Procuradoria Eleitoral. Eu não estou saindo por qualquer tipo de pressão, não estou saindo por qualquer afirmação que foi feita. Eu sei que, infelizmente, a minha atuação pode ter desagradado umas pessoas, mas ela não foi e nunca será uma atuação pessoalizada'', justificou Sogaiar. ''Ela é uma atuação de caráter institucional e eu faço as minhas atribuições funcionais garantidas pela Constituição Federal, pelo Código Eleitoral e pela Lei Orgânica do Ministério Público'', concluiu.
Édina afirmou que optou por não acompanhar as investigações pela imprensa. ''Como já sabia que ia assumir, fiz questão de me manter completamente à parte para não entrar com o espírito armado e nem contra ninguém neste procedimento'', argumentou. Ela garantiu que irá destinar o final de semana para tomar conhecimento do inquérito. ''O Ministério Público vem atuando em uma linha de investigação junto com a Polícia Federal que vai ser mantida'', complementou.
Em conjunto com a PF, Sogaiar, que vem conduzindo as investigações nas contas do PT há 43 dias, acredita que já há indícios de ''recursos não contabilizados'' na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral. ''Eu diria que temos muitos elementos dentro do inquérito policial que indicam recursos não contabilizados. Isso não podemos deixar de dizer, que existem esses elementos só que não está completa a investigação. A investigação completa me parece que ainda vai necessitar ouvir todos esses envolvidos. Temos alguns elementos mas é necessário terminar o inquérito policial'', assegurou.
Com base neste entendimento, Sogaiar encaminhou quinta-feira ao juiz da 41 Zona Eleitoral, o parecer favorável ao pedido formalizado pelo delegado Kandy Takahashi, para que o inquérito seja prorrogado por 60 dias. ''Só o Ministério Público está sugerindo à Polícia Federal que realize 61 diligências, a maioria depoimentos, perícias contábeis e várias verificações de situações que ocorreram. A Polícia Federal mesmo já tem elencadas várias outras diligências. É um inquérito complexo, e sem dúvida nenhuma há necessidade desse prazo para que se possa inclusive fazer um trabalho que não deixe qualquer dúvida e até quero ressaltar que não causa nenhum prejuízo para a defesa esse prazo'', afirmou em resposta ao pedido feito pelo diretório municipal do PT, pedindo que a Justiça Eleitoral negue a prorrogação das investigações.
O juiz solicitou informações ontem ao delegado e somente deverá decidir sobre a prorrogação após a manifestação de Takahashi. O delegado tem cinco dias após a notificação, para responder os questionamentos do juiz.
O inquérito já tem 1.714 páginas. Até agora, pelo menos dois dirigentes do PT local o ex-coordenador estrutural Augusto Ermétio Dias Júnior, e o tesoureiro do partido, Francisco Moreno tiveram os sigilos bancários quebrados e mais de 30 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
Ontem, o delegado Fernando Lara, que preside o inquérito aberto para apurar denúncias de irregularidades também nas contas oficiais do PT, disse que a ex-assessora financeira Soraya Garcia, será a primeira a prestar depoimento. ''A gente vai no primeiro momento, ouvir a denunciante Soraya Garcia para que ela dê maiores detalhes sobre as situações que ela apontou ao Ministério Público como sendo irregulares na prestação oficial'', disse, prevendo a oitiva para o dia 15 ou 16. ''Preciso tomar conhecimento junto a ela para ver quais são as suspeições e depois, de uma maneira bastante exaustiva, apreciar documento a documento. É um exame contábil, fiscal e também os fatos noticiados nesses documentos serão confirmados através de pessoas que estejam a eles ligados'', relatou.


