Promotor faz acusações contra HSBC
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terça-feira, 25 de setembro de 2001
Luciana Pombo<br> De Curitiba 
O promotor de investigações criminais, Fábio Guaragni, disse ontem -durante a sessão da CPI da Telefonia- que o HSBC comprou serviços da Polícia Militar e da Polícia Civil do Paraná. ''É uma vergonha. Essas contribuições mostram a compra das polícias por um banco privado.'' O promotor, que defendeu a convocação de delegados, escrivães, agentes federais e PMs que teriam sido beneficiados, afirmou ainda que a segurança pública do Estado foi deixada em segundo plano, para proteger interesses privados.
Guaragni foi destacado pelo Ministério Público para acompanhar os trabalhos da CPI, que investiga denúncias de escutas telefônicas ilegais e quebra de sigilo bancário. Após a conclusão do relatório, os resultados serão analisados e uma denúncia poderá ser oferecida pelo Ministério Público. ''Temos que pensar como tipificar o crime. Mas para mim fica claro que todos os que receberam as contribuições podem ser responsabilizados por prevaricação.'' Além de receber recursos, alguns policiais civis e militares teriam ficado à disposição do Banco HSBC para trabalharem na segurança interna, fazer investigações e cumprir mandados de prisão.
O coronel Sérgio Itamar Alves, comandante da PM entre 1994 e janeiro de 1995, foi um dos depoentes ontem. Ele confirmou que sabia da indicação do ex-sargento Jorge Luiz Martins e outros quatro PMs do serviço reservado, para atuar na investigação de roubo e fraude de cartões magnéticos. O pedido teria sido feito pelo coronel Sérgio Malucelli, comandante do Policiamento da Capital (CPC). ''Fiquei sabendo que a equipe trabalharia por um tempo nessas investigações e depois retornaria para suas funções originais. Quando já estava na reserva é que fiquei sabendo que o sargento Jorge continuava fazendo trabalhos internos no banco'', disse ele.
Depois de Malucelli, assumiram o comando da PM os coronéis César Mainguê, Luiz Fernando de Lara, e Guaraci Moraes Barros. O atual comandante, Gilberto Foltran, é apontado apenas como o coronel que assinou o despacho de expulsão do ex-sargento. ''Exceto Foltran, todos os outros tinham ciência da situação'', afirmou.
O deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT) pediu a imediata convocação de todos os comandantes citados e dos coronéis que no período foram responsáveis pelo CPC. O coronel Itamar confirmou que muitos bancos contribuiam financeiramente com a PM. Além do HSBC, alguns batalhões recebiam recursos financeiros da Caixa Econômica Federal e do Banestado. ''Chegamos numa situação em que tínhamos alguns batalhões trabalhando praticamente a serviço de bancos'', salientou ele.
A CPI recebeu ontem um documento anônimo levando ao conhecimento dos deputados nomes de pessoas que supostamente estariam envolvidas na liberação de dados da Receita Federal para o departamento de segurança do HSBC. Na carta, o denunciante diz que foi motivado por uma reportagem da Folha a contar o que sabia. Ele acusou um funcionário da inteligência da Receita e um auditor fiscal de enviarem todas as informações de quebra de sigilo fiscal para o Banco Central e para o HSBC.


