São Paulo - O desvio de dinheiro da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) para financiamento de campanhas do PT pode ter chegado a R$ 100 milhões, segundo estimativa do promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo. De acordo o promotor, os valores já eram conhecidos desde 2008, ainda na fase do inquérito instalado para investigar o suposto desvio que prejudicou 3 mil famílias de cooperados, com prejuízo médio de R$ 33 mil. ''Os valores foram calculados pelas diferenças de balanços e pela análise de documentos recolhidos na investigação'', disse Blat. Os números já haviam sido divulgados pela Promotoria.
Na sexta-feira, o promotor pediu ao Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária (Dipo), do Tribunal de Justiça de São Paulo, a quebra de sigilo bancário e fiscal do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, por suposto envolvimento no esquema de desvio. Blat também pediu o bloqueio das contas da cooperativa. ''O mais importante é o bloqueio da contas para garantir o ressarcimento dos cooperados'', afirmou. Ele espera que seu pedido seja aceito nos próximos dias.
Blat disse que não irá responder aos ataques de membros do PT depois que o caso voltou à pauta com a reportagem da revista ''Veja'' sobre os novos pedidos. ''Toda vez que eu faço investigação do partido A é porque eu pertenço o partido B'', afirmou, lembrando que era chamado de petista quando investigou o caso da Máfia dos Fiscais em 1998, durante a gestão do então prefeito Celso Pitta.
Anteontem, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), desafiou o promotor a provar que Vaccari Neto sacou recursos em dinheiro no suposto esquema de desvio de verba da Bancoop. Ele disse que, se o promotor comprovar que houve saques em dinheiro, o petista renuncia ao seu mandato na Câmara. ''Se tiver R$ 30 milhões ou R$ 100 milhões de saque na boca do caixa, renuncio ao meu mandato. Se não tiver, ele renuncia ao cargo dele no Ministério Público'', afirmou.

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