Promotor denuncia Alex por improbidade
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terça-feira, 12 de dezembro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O deputado federal Alex Canziani (PSDB) e outras 14 pessoas, entre elas o prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido), foram denunciados ontem à tarde pelo Ministério Público (MP) de Londrina por improbidade administrativa. A campanha do deputado, em 98, teria recebido R$ 78,8 mil desviados da Prefeitura de Londrina em licitação fraudulenta. Se condenados, os réus podem perder os direitos políticos, além de ressarcimento dos cofres públicos. É o segundo deputado federal denunciado pelo MP - o primeiro foi José Janene (PPB).
A ação civil pública é resultado de uma medida cautelar proposta em maio pelo MP e por isso foi distribuída, por conexão, para a 6ª Vara Cível. Além de Alex e Belinati, estão sendo denunciados o irmão do deputado, Ivan Canziani, coordenador financeiro da campanha, e a empresa AGE Assessoria e Serviços Gerais de Engenharia Ltda, que seria de São José (SC) o MP apurou que o endereço é frio.
De acordo com o promotor Cláudio Esteves, a AGE venceu em agosto de 98 uma licitação para executar na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb atual CMTU) a elaboração dos estudos de engenharia e apresentação de serviços de assessoria técnica para implantação de linhas seletivas de transporte coletivo. O serviço nunca foi realizado.
O contrato com a AGE custou R$ 148,9 mil e a primeira parcela, de R$ 78,8 mil, foi depositada na conta pessoal do sócio Carlos Lucidário Trindade. De lá, o valor foi transferido para conta de Arion Cruz Santos, representante da Esteio Engenharia, de Curitiba os donos da Esteio seriam os mesmos da AGE.
Segundo a ação, Arion entregou um cheque para o ex-diretor da Comurb, Eduardo Alonso, que o repassou para Ivan Canziani. O valor seria para pagar despesas da campanha conjunta de Alex e do então candidato a deputado estadual Antônio Carlos Belinati (sem partido), filho do prefeito cassado. Ivan Canziani pegou o cheque e depositou na conta de um amigo. O valor não consta da declaração de gastos da Justiça Eleitoral.
Ontem, Alex negou que soubesse que o dinheiro recebido pelo irmão tivesse origem ilícita. O Alonso disse apenas que era uma doação de campanha. O deputado confirmou ter feito dobradinha com Antônio Carlos em 98 e que o dinheiro seria para cobrir custos conjuntos. Ele acrescentou que não informou a Justiça Eleitoral sobre os gastos porque entendeu que caberia a Antônio Carlos fazer a declaração. Não roubei, não mandei roubar, e esse dinheiro foi uma infelicidade, lamentou.
Sobre o fato de o cheque ser depositado na conta de um amigo, Alex justificou dizendo dizendo que foi apenas um favor, já que na época da campanha o irmão viajava muito. O deputado acrescentou que vai se colocar à disposição do MP para qualquer tipo de informação, inclusive abrindo os sigilos bancários, telefônicos e fiscais dele e de toda a família. Destacou ainda que, quando era vereador, em 96, tinha mais bens do que hoje depois de ser vice-prefeito, presidente da Codel, secretário de Estado e deputado federal. Vou me defender no processo e acredito que serei inocentado.


