Promotor de Londrina desafia Janene a abrir sigilo fiscal
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de abril de 2002
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
O promotor de Londrina Bruno Galati procurou a Folha para responder ao desafio feito pelo deputado federal José Janene (PPB) em matéria publicada ontem sobre o caso Ama/Comurb, que apura desvio de recursos públicos na cidade. O promotor, que não havia sido localizado anteontem pela reportagem, disse que abre o seu sigilo bancário e fiscal desde que o deputado federal faça o mesmo. Eu abro o meu e da minha esposa, desde que ele abra o dele, da esposa, filhos e assessores, porque eu não tenho assessores.
Galati disse que não quer saber de brigas através da imprensa. Segundo ele, quer uma coisa séria que tenha consequências jurídicas. O deputado autoriza a Corregedoria da Câmara a abrir processo contra ele e se compromete a aceitar a cassação se for encontrado dinheiro público. Eu autorizo a Corregedoria do Ministério Público a me investigar e se houver dinheiro ilícito eu serei demitido, afirmou o promotor.
Bruno Galati disse ainda que dará a autorização no mesmo momento em que o deputado der outra semelhante. Esses desafios na imprensa não resolvem nada vamos ao que tem resultado jurídico, a abertura dos processos. Quero também que ele autorize a publicação na imprensa dos documentos bancários. Eu autorizarei a publicação das minhas também. Mas tem que ser de todos os envolvidos no processo.
A briga dos promotores que apuram o escândalo que ficou conhecido como Caso Ama/Comurb é antiga, já dura dois anos. O deputado alega perseguição política. Na última sexta-feira, o advogado de Janene, Adolfo Góis, classificou as seis ações civis públicas ajuizadas nos últimos meses, contrao seu cliente, como descabidas e ilegais. Janene processa os promotores e quer uma indenização por danos morais de R$ 18 milhões.


