O Ministério Público (MP) instaurou procedimento investigatório para apurar suspeita de uso da máquina pública na campanha do prefeito e candidato à reeleição de Iporã (a 53 km de Umuarama), Cássio Trovo Hidalgo, da Coligação Avança Mais Iporã. A investigação foi iniciada após depoimento de um eleitor ao MP indicando que teria recebido vale-combustível em troca de seu voto. O promotor Eduardo Cambi obteve um mandado judicial e apreendeu no comitê de Hidalgo diversos vales-combustíveis, de 5 e 10 litros, semelhantes ao apresentado pelo eleitor. Também foram encontrados no veículo particular do coordenador de campanha, Omar Gonçalves Batista, vales combustíveis da própria prefeitura. Batista é ex-secretário municipal de Obras e Meio Ambiente, e deixou a administração para atuar no comitê eleitoral.
''Há indícios de crimes eleitorais que estão sendo apurados. Precisamos esclarecer se está havendo compra de votos, quem está pagando pelo combustível e o que as notas da prefeitura estavam fazendo com o coordenador de campanha'', disse. Os documentos apreendidos estão sendo analisados por dois auditores do MP.
De acordo com o promotor, as versões apresentadas pelo Omar Batista e pela contabilidade da prefeitura são conflitantes. ''O coordenador disse que estava apenas fazendo um favor de levar as notas do posto até a prefeitura. Já o servidor de carreira do setor de contabilidade disse que isso jamais aconteceu''. Omar Batista alegou que os vales-combustíveis em nome da Coligação são usados pelos veículos da própria campanha.
O prefeito Cássio Hidalgo, alegou, em entrevista a FOLHA, que as suspeitas são fruto de ''jogada política''.''Isso é armação da oposição. Eles forjaram uma testemunha.'' Hidalgo não quis entrar em detalhes da investigação alegando que sua assessoria jurídica já está cuidando do assunto. O ex-secretário Omar Batista deixou a coordenação de campanha após o início das investigações e não foi localizado pela reportagem.

mockup