São Paulo - O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, chamou de tentativa de intimidação as reações de dirigentes do PT às investigações do caso Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop). ''Os ataques pessoais e campanhas difamatórias representam um claro sinal de desrespeito e uma tentativa de intimidação'', afirma o promotor em nota divulgada ontem.
No dia 5, o promotor pediu a quebra de sigilos bancário e fiscal do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, por suposto envolvimento no esquema de desvio. Blat também pediu o bloqueio das contas da cooperativa. Vaccari faz parte da cooperativa desde a sua fundação e foi presidente da entidade.
Segundo ele, os pedidos foram baseados em provas e depoimentos inegáveis. O promotor diz que, no ano passado, a Justiça já havia aceitado o pedido de depoimento de Vaccari.
''Exerço uma carreira de Estado e não de governo e não estou investigando pessoas ligadas a partidos políticos, mas sim dirigentes e ex-dirigentes de uma cooperativa habitacional que lesou milhares de famílias'', afirma Blat.
O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), afirmou na semana passada que a ação do promotor faz parte de uma ''articulação política mal engendrada''.
O desvio de dinheiro pode ter chegado a R$ 100 milhões, segundo estimativa do promotor. De acordo o Blat, os valores já eram conhecidos desde 2008, ainda na fase do inquérito instalado para investigar o suposto desvio que prejudicou 3.000 famílias de cooperados, com prejuízo médio de R$ 33 mil. Segundo a investigação, dirigentes da cooperativa teriam criado empresas fantasmas que prestavam serviços superfaturados e faziam doações não contabilizadas ao PT.
Para Blat, há indícios de caixa dois, uma vez que os recursos repassados ao partido não constam dos registrados da Justiça Eleitoral.

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