O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor Cláudio Esteves, não descarta o ingresso de novas denúncias a partir das declarações do ex-vereador Orlando Bonilha, cassado pela Câmara Municipal de Londrina. Um dos desdobramentos das investigações ocorreram na última sexta-feira, quando foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em localidades pertencentes ao vereador afastado Renato Araújo. ''O MP está agindo com rigor, mas também com cuidado, pois esse é um trabalho estritamente técnico'', salientou Esteves.
Araújo teve apreendidos documentos e agendas, em uma das quais, segundo Bonilha disse ao MP, haveria nomes de vereadores que receberiam um 'mensalinho' da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). Araújo e a TCGL negam a negociata.
A FOLHA conversou com o coordenador do Gaeco no último sábado, após um debate sobre o MP e o escândalo no Legislativo londrinense realizado pela rádio Paiquerê AM. Esteves foi sabatinado por jornalistas que cobrem o dia-a-dia do noticiário político local; por meio do diretor da emissora, o empresário J.B. Faria, respondeu também perguntas enviadas por ouvintes ao longo de uma hora de programa.
Questionado se os dois depoimentos de Bonilha devem render novas medidas práticas do Gaeco, Esteves resumiu: ''Não descartamos novas ações, é uma possibilidade; e podem, sim, derivar dessas declarações novas medidas judiciais. Mas temos que esperar que a investigação resulte em elementos que nos permitam oferecimento dessas medidas judiciais'', afirmou.
Por outro lado, indagado se a atual crise na Câmara envolvendo os vereadores tem alguma semelhanças com o caso Ama-Comurb - à época do então prefeito Antonio Belinati (PP), e que rendeu dezenas de ações cíveis e criminais por supostos crimes contra a administração pública -, o promotor adianta que as semelhanças se resumem basicamente à extensão do estrago político causado.
''Essa é uma avaliação muito difícil de o MP fazer, nem é recomendável que a façamos. Evidentemente que ninguém pode ser tão hipócrita de afirmar que não percebe tudo o que está acontecendo no nível político, mas o trabalho da Promotoria não é pautado por isso, nem por calendário eleitoral - nos pautamos pelos fatos que conseguimos elucidar'', declarou.
Algo que Esteves admitiu ter chamado a atenção dele, em particular, uma vez que atuou diretamente nas ações do Ama-Comurb no fim da década de 1990, foi a pouca ou nenhuma mobilização social na Câmara diante do atual escândalo. No passado, lideranças da sociedade civil organizada se reuniram e cobraram, dentro e fora do Legislativo, respostas às denúncias de corrupção na Prefeitura de Londrina.
''Os processos precisariam ser mais céleres contra aqueles que cometem crimes contra a administração pública. De qualquer forma, é interessante que não tenha tido mobilização social agora, o que seria essencial - parece que o cidadão está 'anestesiado'. Sou otimista quanto a esse amadurecimento do eleitor, mas é um processo lento'', concluiu o promotor.

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