Leandro Donatti
De Curitiba
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), afirmou ontem que a promoção de 19 delegados da Polícia Civil, autorizada por ele durante a interinidade como governador do Paraná, não vai gerar novas despesas para o governo. ‘‘Não houve nomeações, apenas promoções dentro das respectivas carreiras, segundo previsão orçamentária em curso’’, afirmou.
O deputado disse que fez questão de assinar as promoções, propostas pelo Conselho da PM e PC. Os processos foram desengavetados na última segunda-feira, na interinidade pela viagem do governador Jaime Lerner à Argentina.
Aníbal convocou o delegado-geral da Polícia Civil, Newton Rocha, para esclarecer o alcance das promoções. Rocha garantiu que as promoções dão aumento médio de R$ 350,00, e não de R$ 800,00 como divulgou a Folha ontem, com base em informações da categoria. O RH da Secretaria de Segurança não repassou os dados solicitados pela Folha.
Alguns delegados contatados pela reportagem ontem contestaram ainda a variação de salários pagos para as quatro faixas. Eles confirmam que os salários de 1ª classe estão orçados em R$ 7,4 mil brutos, o de 2ª em R$ 7,1 mil brutos, o de 3ª em R$ 6,7 mil brutos e o de 4ª em R$ 6,3 mil brutos. Mas alegam que as gratificações e verbas de representação estão incorporadas ao valor, o que, segundo eles, limita os salários a até R$ 10 mil. Para chegar à faixa de R$ 20 mil, a reportagem aplicou 170% de verba de representação sem levar em conta a incorporação.
A Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) distribuiu nota oficial reforçando que as promoções obedeceram o que estabelece a Lei Complementar 14/82, prevendo a formação de listas tríplices (para os casos de promoção por merecimento) votadas pelo Conselho Superior da Polícia Civil e submetidas à apreciação do governo. A Adepol diz que as promoções significam ‘‘um aumento ínfimo no salário dos delegados, cujo inicial, com todas as vantagens é de R$ 6.071,37, correspondente ao delegado de 4ª classe e de R$ 7.081,31, para o delegado de 1ª classe em final de carreira’’.
Aníbal Khury distribuiu também nota oficial defendendo as promoções e dizendo ser favorável ao corte de despesas públicas. Na opinião dele, o governo ‘‘faz bem’’ em enxugar o custeio. O deputado aproveitou a deixa para reclamar atenção financeira do governo federal. ‘‘Além de fazermos o dever de casa, precisamos pressionar a União para comparecer com a sua parte’’, pregou.
O deputado disse que o Paraná tem fama de Estado rico, razão pela qual não recebe contrapartidas do governo federal para seus projetos. ‘‘Ao contrário do que acontece com outras regiões e mesmo Estados do Centro-Sul’’, ressaltou. ‘‘Por exemplo, tivemos que implantar programas de recuperação da agricultura com recursos próprios, sem o apoio federal.’’
Para Aníbal, esse contexto obriga o Paraná mais do que nunca a implementar políticas de contenção. ‘‘Nessa reestruturação, o poder público estadual deve levar em conta a reformulação da esfera de atribuições oficiais, demitindo-se de tarefas melhor geridas pelo setor privado e alargando influência nas áreas de interesse da sociedade. Entre essas se situa a segurança’’.

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