O PP fez valer o peso dos seus 51 deputados federais e conquistou um dos mais mais importantes ministérios do governo interino do presidente Michel Temer (PMDB-SP), emplacando na Saúde o deputado federal paranaense Ricardo Barros (PP). A pasta já havia sido oferecida ao PP por Dilma Rousseff (PT), quando ela ainda tentava conquistar votos contra o impeachment na Câmara, mas os pepistas decidiram abrir mão da oferta e abandonar o barco governista para apostar na troca de comando no Palácio do Planalto.
Barros, que exerce o quinto mandato parlamentar em Brasília, vai comandar um orçamento superior a R$ 100 bilhões. Engenheiro civil por formação, ele afirmou que a experiência como presidente da Frente Parlamentar dos Laboratórios Públicos Federais, da Câmara, vai ajudá-lo no cargo de ministro. "Trabalho muito nessa área da pesquisa de vacinas, inclusive o Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) é um grande fornecedor de vacinas para o Ministério da Saúde. Tenho ligação com a área, fui prefeito e o que tenho prometido aqui é gestão e financiamento", disse ontem, antes da posse, em entrevista à Rádio Paiquerê AM. "Fui relator do orçamento, é minha especialidade em Brasília, e temos a capacidade de gastar melhor os recursos que temos", comentou. Barros foi o relator do Orçamento Geral da União 2016.
Integrante da base do governo Dilma, o PP aderiu ao impeachment uma semana antes da admissibilidade na Câmara dos Deputados e agora faz parte do grupo de apoio a Temer. O ministro justificou a elasticidade partidária no País e negou que isso seja fisiologismo. "Essa é nossa obrigação constitucional, pois no regime de presidencialismo de coalizão quem ganha a eleição é governo e quem perde é oposição. Os demais partidos têm que dar governabilidade." No Paraná, o PP também está representado na administração com a vice-governadora e mulher de Barros, Cida Borgheti, além do irmão dele, Silvio Barros, como secretário do Planejamento. Este, como pré-candidato a prefeito de Maringá, deverá deixar o cargo em breve, porém, outro pepista será indicado.

HISTÓRICO
Ricardo Barros foi o mais jovem prefeito de Maringá, com 29 anos, de 1989 a 1993, pelo PFL, hoje DEM. No primeiro mandato do governador Beto Richa (PSDB), Barros foi secretário da Indústria e Comércio, de 2011 a 2012. Foi nesse período que se tornou pública uma gravação telefônica, autorizada pela Justiça, que integrava investigação sobre suposto direcionamento na licitação de publicidade do município de Maringá, no valor de R$ 7,5 milhões, realizada em 2011.
Barros pedia a funcionário municipal que promovesse um acordo entre as duas empresas que disputavam o edital, para que chegassem a uma "solução salomônica". Ele disse na época que se tratava somente de uma preocupação com o procedimento, na gestão do irmão, para evitar que a saída de uma das concorrentes provocasse a nulidade do processo licitatório. O então secretário deixou o cargo no governo do Paraná.

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