TóquioPaíses e órgãos doadores reunidos ontem em Tóquio para ajudar a reconstruir o Afeganistão prometeram três bilhões de dólares, quantia destinada a permitir que o país se levante após a devastação causada por mais de duas décadas de guerra, em meio a informes sobre novos combates entre facções afegãs.
‘‘Mais de uma vez nestes últimos tempos, alguns países caíram novamente em conflitos quando a paz parecia ter-se instalado. Estamos reunidos aqui para evitar que isto ocorra no Afeganistão’’, advertiu o secretário geral das Nações Unidas, Kofi Anan, na abertura da conferência com a presença de 60 países e 20 organizações internacionais. O secretário geral estimou que são necessários ‘‘1,3 bilhão de dólares imediatos para atender às necessidades mais urgentes’’ do país.
‘‘Precisamos de contribuições firmes e generosas’’, disse a co-presidente da conferência, Sadako Ogata, ex-alta comissária da ONU em matéria de refugiados.
O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, que desde outubro passado havia proposto uma conferência de doadores e que, durante anos, quando todos pareciam ter esquecido o Afeganistão, foi um dos principais países que lhe deram ajuda, disse querer ‘‘que os afegãos se livrem das armas para apropriar-se dos instrumentos agrícolas, que passem do sentimento de insegurança para a sensação de confiança’’.
A médio prazo, as contribuições de países como Arábia Saudita, Grã-Bretanha e organizações como o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento elevarão a quantia a mais de três bilhões de dólares.
‘‘Os Estados Unidos não abandonarão o povo do Afeganistão e nós, a comunidade internacional, não devemos deixá-los fracassar, declarou o secretário de Estado norte-americano Colin Powell, antes de retornar a Washington.
Antes da conferência, os norte-americanos informaram que não serão os principais doadores em Tóquio, devido a seu esforço militar no Afeganistão, estimado em dois bilhões de dólares mensais.
O chefe do Governo afegão interino, Hamid Karzai, afastou-se do texto inicial de seu discurso para explicar a dura realidade de seu país. ‘‘Sou cidadão de um país que não conheceu outra coisa a não ser desastres, guerras, brutalidades e privações por muitos anos’’, disse.
Embora tenha agradecido à comunidade internacional a ajuda já recebida, desejou ‘‘que as promessas feitas em Tóquio se transformem em verdadeiro dinheiro’’, para poder principalmente elaborar um primeiro orçamento de seu governo para o ano que começará a partir de março.

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