Prometem coisas que não fizeram, diz Dilma
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Pela primeira vez em Curitiba após o início da campanha eleitoral, a presidenciável Dilma Rousseff (PT) atacou seus adversários durante discurso. Segundo ela, ''há uma discussão muito estranha no País'', já que hoje seus adversários estariam se comprometendo ''com coisas que não fizeram'' no passado: ''Quando estavam no governo fizerem muito pouco'', atacou ela. Em outro momento, o discurso em defesa da continuidade ganhou outro apelo: ''O combate à pobreza não é só o Bolsa Família. O foco são os 190 milhões. O que mede o resultado das políticas sociais e econômicas é a qualidade de vida da população''.
Os ouvintes do discurso, feito na noite de quarta-feira em Curitiba, no Clube Concórdia, eram na maioria prefeitos paranaenses de siglas ligadas à chapa de sustentação do candidato a governador do Paraná Osmar Dias (PDT), integrada por PT, PMDB, PSC, PR, PCdoB e PTdoB. Na prática, o encontro foi marcado para que os prefeitos ligados ao PMDB de Orlando Pessuti fossem convencidos a apoiar o pedetista. A legenda conta com o maior número de prefeitos no Estado.
Atual governador do Estado, Pessuti rodou o Paraná atraindo aliados durante quase dois anos, quando sua candidatura ao Executivo era tida como certa. Com a aliança entre PMDB e PT em torno de Osmar Dias, Pessuti tinha a missão ontem de se explicar aos correligionários e tentar transferir os votos já conquistados.
A tese do ''ato de generosidade'' do Pessuti, em referência a sua desistência por uma aliança em torno de um nome que poderia dar mais peso ao palanque de Dilma Rousseff no Estado, deu contorno a todos os discursos da noite - incluindo o da presidenciável e o de seu vice, Michel Temer -, com exceção do de Roberto Requião (PMDB), candidato ao Senado. Requião se preocupou apenas em dar coerência à aliança que o coloca lado a lado com seu adversário nas urnas de 2006, Osmar Dias. ''Mas vocês não esqueçam que ele foi coordenador da minha primeira campanha ao governo do Estado'', lembrou Requião.
Para Dilma, Pessuti teve ''imensa dignidade, grandeza e generosidade'' e foi a figura central para a construção da aliança: ''O Paraná vive aqui nessa aliança uma unidade em torno de um projeto nacional. E tem uma quinta pessoa, que teve uma extrema clareza sobre o que está em jogo nessa eleição''.
''É muito mais difícil abrir mão de uma candidatura do que disputar a própria eleição. Mas foi fácil abrir mão de um projeto pessoal, de um projeto de um grupo, em nome de um projeto nacional. E eu não estou somente envolvido (na aliança), eu estou 100% comprometido'', discursou Pessuti, na tentativa de transferir seus apoios a Osmar.


