Rio Branco, AC - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem, em Rio Branco (AC), um discurso recheado de ataques indiretos ao governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e de outros antecessores. Em sua fala, Lula admitiu também que pode não conseguir cumprir todas as promessas que fez na campanha presidencial. ''Eu me lembro dos comícios que fiz em Xapuri (AC), no tempo em que a gente não tinha nem ilusão de que chegaria à Presidência da República. E eu sou capaz de ter cada palavra guardada na minha cabeça e de dizer que nós vamos cumprir todas elas. E aquelas que não cumprirmos não será por falta de vontade, mas por falta de tempo ou por falta de recursos para fazermos aquilo que a gente precisa'', disse o presidente durante a inauguração de um hospital do idoso em Rio Branco.
Ontem, Lula disse, entre outras coisas, que: pegou o país com uma ''dívida praticamente impagável''; seus antecessores formam um grupo que governa o Brasil ''há 500 anos''; no primeiro ano de sua gestão seu governo ''comeu o pão que o diabo amassou'' e existem pessoas no Senado, ''preocupadas com as próximas eleições'', que votam para prejudicar o governo. Mesmo assim, numa contradição à sua fala, disse que apenas olha para a frente. ''Todo mundo sabe que nós também tomamos a decisão de não ficar falando dos governos anteriores.''
Para Lula, numa crítica à oposição, tem gente que não se ''conforma'' em ficar ''no banco de reservas''. Disse que não há como trabalhar com ''rapidez'', mas pediu para ser cobrado. ''Nunca deixem de nos cobrar.''
''Eu só queria lembrar uma coisa: tem gente que governou este país nos últimos 30 anos, e a grande maioria está no poder ainda (...) E agora eles cobram de nós como se pudéssemos fazer, em 500 dias, o que eles não fizeram em 500 anos. Não dá para fazer com essa rapidez.''
Afirmou, em seguida, que sua eleição não ocorreu à toa. ''Nós só ganhamos porque o povo brasileiro falou: ''espera aí'. Essa gente governa o Brasil desde que (Pedro Álvares) Cabral chegou aqui, há 500 anos. É um tal de diz que diz, e a gente está sempre na ''pendura'. Vamos experimentar o peão que veio do nosso meio.''
Para citar a possibilidade de crescimento do país em 2004, Lula afirmou: ''O ano passado foi um ano em que nós comemos o pão que o diabo amassou, plantando, tirando as ervas daninhas que estavam espalhadas pela nossa lavoura. Deixamos o roçado pronto, plantamos e neste ano começamos a colher''.
Sobre os governadores, criticou aqueles que não divulgam as obras federais em seus estados, acolhendo, segundo o presidente, os investimentos da União como se fossem oriundos dos cofres de suas administrações. ''Ninguém quer fazer propaganda, o que nós queremos é que a informação seja dada corretamente para o povo brasileiro saber quem é que está fazendo as coisas neste país. E isso é apenas uma questão de honestidade.''
No momento em que busca desvencilhar definitivamente o governo do caso Waldomiro Diniz, que gerou a pior crise política de sua gestão, disse que quanto maior o número de ''dificuldades'' mais ele gosta. ''Eu sou um homem chegado a desafios.

mockup