A ex-deputada federal Clair da Flora Martins, conhecida como Drª Clair, foi uma das dirigentes da Ação Popular (AP) detidas durante o regime militar. "No dia da minha formatura (em Direito na UFPR), no começo de 1969, recebi uma convocação do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e, a partir daquele momento, fiquei foragida", contou.
Três anos depois, já em São Paulo, na clandestinidade, ela foi presa, juntamente com outros companheiros de partido. Era setembro de 1972. "Fiquei até abril de 1973 e, nesse período, sofri todos os tipos de tortura: choque elétrico, pau de arara, espancamento e manipulação nos órgãos sexuais. De lá, vim num camburão para Curitiba e só fui solta porque havia um juiz auditor bastante liberal", relembrou.
Os dias na cadeia, sendo 40 numa solitária, levaram a advogada a fazer uma promessa: "Disse para mim mesma que, se fosse presa novamente, todo mundo ia ficar sabendo. Imagine a gente, militante, estudante, sem eira nem beira, nas mãos da ditadura. Podiam matar e a população nem se daria conta", afirmou.
Já perto da redemocratização, Drª Clair se envolveu nas mobilizações pela anistia e pelos direitos das mulheres, até que, em 2000, então pelo PT, se elegeu vereadora e, em 2002, foi a primeira mulher eleita deputada federal no Estado. "Tive de conquistar a minha independência financeira, sobreviver, e depois ter uma atuação política acentuada, no sentido de que a sociedade tomasse conhecimento de que eu existia." (M.F.R.)

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