Curitiba - Duas das principais bandeiras do presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), cujo mandato se encerra em dezembro, correm o risco de serem adiadas para 2015. O concurso público para a contratação de 50 servidores efetivos e a reforma do regimento interno, que há 15 anos não sofre uma grande alteração, vêm encontrando empecilhos dentro e fora da Casa. Eleito deputado federal, o tucano confirmou ontem a intenção de agilizar a votação das mudanças no documento, no entanto, admitiu que pode deixar a Casa antes da publicação do edital do exame.
"A grande verdade é que eu tenho encontrado dificuldades de fazer o concurso público. Não posso negar. Estamos tentando encontrar uma forma para encerrar o nosso mandato com esse concurso feito. Mas os obstáculos são enormes".
Questionado sobre que obstáculos seriam esses, ele desconversou. "Prefiro não falar". No primeiro semestre, o grupo instituído para organizar o certame chegou a definir que a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) seria a responsável pela aplicação das provas, no entanto, a tramitação de um projeto que regulamenta o quadro funcional da AL, a campanha eleitoral e uma ação na Justiça questionando o processo acabaram travando a questão.
"Quando saiu a história do concurso público, já havia dito que não ia acontecer. Infelizmente eu estava certo. É muito mais um discurso eleitoral ou pré-eleitoral do que prático", criticou o líder do PT, Tadeu Veneri. O último concurso promovido na AL foi em junho de 1999, para contratação de cinco vagas de taquígrafo. Rossoni costumava dizer que a realização do exame seria "o coroamento de sua gestão", que começou em 2011, depois da Casa enfrentar seu maior escândalo de corrupção, com denúncias de esquemas de funcionários fantasmas e laranjas para desvio de verba pública.
Quanto ao regimento, o chefe do Legislativo contou que pretende fazer uma reunião das lideranças e que, se todos estiverem dispostos, deve colocar a mensagem em votação ainda neste ano. As alterações incluem a proibição da reeleição para a Mesa Executiva, o fim da comissão geral, artifício conhecido como "tratoraço", e mudanças nos critérios para tramitação de mensagens.
A iniciativa, contudo, deve sofrer resistência. O líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), já adiantou que, se depender dele, a proposta não irá a plenário tão cedo. "Nós só vamos discutir regimento interno no ano que vem. Entre a intenção e acontecer, tem uma diferença grande. A ‘nova Casa’ tem o direito de participar deste modelo". Ele garante não ser contra o fim do "tratoraço", desde que seja encontrada "uma alternativa que contemple a possibilidade de votar matérias do Executivo em regime de urgência".
Presidente da comissão criada em setembro de 2013 para analisar o assunto, Pedro Lupion (DEM) lamentou a demora. "Estou aguardando avidamente, há bastante tempo, desde o dia em que terminamos a sessão (que aprovou o relatório final, em abril)". Sobre a comissão geral, mesmo sendo integrante da base aliada, Lupion defendeu que a questão não seja julgada politicamente. "Sou contra. A gente sempre fala que governo tem voto e oposição tem regimento". Se Traiano conseguir adiar as discussões para 2015, a maioria das alterações só terá validade no ano seguinte.

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