A promessa de recuperação do dinheiro dos títulos públicos é antiga. Desde 1999, o então secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que foi afastado do governo em novembro de 2000, costumava prometer que ''em poucos meses'' os governos honrariam a recompra. Seu sucessor, Ingo Hubert, adotou o mesmo discurso. Assim como o governador.
''Os débitos que pertencem a outros governos nós estamos trabalhando para receber e vamos receber. Os governos querem saldar seus débitos'', disse Lerner, terça-feira, em entrevista. Nos cálculos de Hubert, o governo espera receber em poucos meses o dinheiro dos títulos de Alagoas, que chega perto de R$ 250 milhões (metade do total). ''Alagoas precisa pagar a dívida por causa do ajuste fiscal'', declarou o secretário, que esteve há um mês com o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB).
O mico dos precatórios vem de 1996. Governos estaduais e municipais emitiram títulos para pagar precatórios, supostamente fraudulentos. A Banestado Corretora comprou parte desses papéis, no total de R$ 350 milhões, em valores da época. Como não tinha dinheiro em caixa para cobrir o resgate dos papéis, quando os mesmos expiraram pela primeira vez, o Estado usou ações da Copel como caução da operação.
Apenas Pernambuco resgatou seus papéis, em julho do ano passado, no valor de R$ 117 milhões. O governo de Santa Catarina já sinalizou que não pretende pagar. O Itaú não quis falar ontem. O banco entende que o momento não é adequado para comentar fatos previstos para os próximos dois meses.

mockup