Projetos de vereadores não atendem população
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sábado, 23 de agosto de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quase 60% dos projetos aprovados no primeiro semestre pela Câmara Municipal de Curitiba são proposições de nomes de ruas. Outros 22% referem-se à declarações de utilidade pública, 12% são honrarias e 7% correspondem a assuntos gerais. Com esse levantamento, divulgado ontem, o Movimento pela Ética na Política (MEP) conclui que das 99 leis aprovadas nos seis primeiros meses do ano, apenas sete tratam de assuntos de interesse coletivo.
No relatório apresentado ontem, o MEP aponta uma repetição do que já havia sido constatado em avaliações anteriores: ''um alto número de proposições guarda pouca relação com as necessidades básicas da população''. ''A população precisa antes de saúde, educação, segurança, cultura, habitação. Precisa ter acesso às políticas públicas previstas no capítulo 5 da Constituição'', observou uma das integrantes do MEP, Elisabeth Henderikx. Ela questiona, inclusive, se é função dos vereadores aprovar nomes de ruas.
Ainda segundo o balanço do MEP, os vereadores de Curitiba apresentaram um total de 247 projetos, dos quais 131 foram considerados de interesse da população, mas apenas cinco deles chegaram a plenário para discussão.
Outro fato que chamou a atenção dos integrantes do MEP, foi o número de vereadores que mudaram de partido. Dos 35 vereadores, 11 migraram para outras siglas. ''Mudam de partido como trocam de roupa'', criticou Elizabeth. As mudanças seriam movidas pelo interesse nas eleições que acontecem no ano que vem.
O MEP é uma organização não-governamental que reúne voluntários para acompanhar os trabalhos do poder legislativo de Curitiba.


