Waldyr Pugliesi (PMDB), líder oposicionista, tem afirmado que o governador quer cobrir rombos no caixa
O Fórum Popular Contra a Venda da Copel entrega hoje ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PTB), o primeiro projeto de iniciativa popular dos paranaenses, que impede a venda da Copel. A oposição promete protocolar o projeto na mesa executiva assim que o presidente recebê-lo.
O Palácio Iguaçu programa levar a estatal a leilão em outubro ou novembro, sob a alegação de que os recursos obtidos com a privatização vão estancar o déficit previdenciário, próximo a R$ 100 milhões mensais. O governo divulga que se a empresa permanecer nas mãos do Estado vai perder competitividade.
Os argumentos não convenceram a oposição, que acredita que o motivo da venda é resolver a crise das finanças públicas. O deputado Tony Garcia (PPB) avalia que o governador Jaime Lerner (PFL) não tem credibilidade para levar a cabo um projeto dessa envergadura. O líder dos partidos de oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), tem afirmado que o governador quer cobrir rombos no caixa.
O projeto revoga a Lei 12.355, aprovada pelo Legislativo em 1998, autorizando o Executivo a vender a empresa. A oposição queria votar a projeto antes do recesso, que começa em julho, mas o presidente da Casa não acredita haver tempo hábil para incluir o projeto na pauta antes de agosto. Isso porque a matéria precisa passar pelas comissões permanentes da Casa (Constituição e Justiça, e Finanças).
Para atrasar a tramitação do projeto, os deputados governistas podem fazer diversos pedidos de vistas. Independente da data de votação, o projeto vai esquentar o clima da Assembléia. Nos bastidores, tem deputado da situação cogitando a possibilidade de não comparecer no dia da votação, para evitar o desgaste nas bases eleitorais. Se o projeto for aprovado, o governador poderá vetá-lo. A votação para manutenção ou derrubada de vetos é secreta, poupando os deputados de críticas.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), acredita contar com 31 votos entre os 54 deputados. A bancada de oposição tem 24 votos fechados a favor do projeto. No entanto, são necessários no mínimo 28 votos para barrar o processo de venda.
O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, mandou recado aos deputados na última sexta-feira. Disse que a venda da Copel é a solução para o problema da previdência. Segundo ele, os reajustes salariais pleiteados pelos servidores só poderão ser concedidos se o déficit previdenciário for sanado.
A Marcha contra a Venda da Copel – que vai encaminhar o projeto à Assembléia – começa hoje ao meio-dia. A concentração será na Praça Santos Andrade, centro de Curitiba. São esperados cerca de 10 mil manifestantes, que vão descer pela avenida Cândido de Abreu até o Centro Cívico, sede dos poderes no Estado. Vão participar deputados e senadores contrários à privatização. O Fórum passou o final de semana convocando a população para a marcha, distribuindo panfletos e também com carros de som.
O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Paraná (DCE/UFPR) decidiu engrossar o movimento e distribui panfletos chamando estudantes para a marcha. O desempenho do movimento vai servir como uma prévia da votação da matéria no plenário. Se a oposição for bem-sucedida e contar com forte apoio da população, o número de votos a favor do projeto pode ser aumentado.
O governo trabalha para esvaziar a marcha. Na sexta-feira, o Fórum denunciou que proprietários de empresas de ônibus estavam sendo pressionados pela Secretaria de Transportes para cancelar viagens agendadas pela oposição. Metade das 10 mil pessoas esperadas devem vir do interior. O diretor-geral da pasta, Wilson Justus, negou que exista essa pressão.

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