O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), defendeu ontem a aprovação de um projeto de lei que estabeleça um período de quarentena durante o qual ex-diretores do Banco Central fiquem proibidos de ocupar cargos em instituições financeiras privadas. Para ele, um ano de quarentena é ‘‘bom’’. ‘‘Temos de fazer as restrições devidas, porque não é justo que estabelecimentos privados possam ter contato com ex-diretores do banco e ter acesso a informações privilegiadas’’, afirmou.
ACM observou que o projeto precisa ser discutido e elaborado ‘‘com cuidado’’, para que a legislação não crie impedimentos que acabem dificultando a nomeação pelo governo de bons profissionais do setor, restringindo esses cargos a funcionários de carreira do banco. ‘‘Não podemos chegar ao exagero de barrar bons profissionais, ficando o Banco Central sempre na base do corporativismo’’, disse o senador.
Para o senador, restrições ‘‘exageradas’’ poderiam acabar prejudicando a política econômica do país por falta de gente competente para gerir o setor. ACM afirmou que a quarentena tem de ser paga e que o governo precisa fiscalizar os ex-diretores, para ter certeza de que eles estão de fato fora do mercado.
ACM teve ontem encontro com FHC no Alvorada. Quando voltou ao Congresso, o senador disse que o País vive um momento de ‘‘tranquilidade política’’ e que FHC ‘‘faz questão de manter sua base de sustentação unida’’.
Segundo ACM, foram superadas as principais divergências entre os três maiores partidos da base de sustentação do governo no Congresso - PMDB, PFL e PSDB - geradas pelo episódio do grampo telefônico que provocou a demissão do ex-ministro Mendonça de Barros (Comunicações).
Antes do encontro, ACM disse que a demissão do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira punha um ponto final nas articulações da oposição pela criação de uma CPI sobre a privatização. ‘‘Acho que o governo tomou todas as providências que poderia tomar. Vamos fazer coisas afirmativas, aprovar o ajuste fiscal, preparar o País para poder diminuir o desemprego e garantir o desenvolvimento sustentado. Se tudo isso for feito, vamos colocar o Brasil no lugar certo’’, disse.

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