Os vereadores de Londrina aprovaram ontem em primeira discussão o projeto de lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas e de ''produtos fumígeros'' em estabelecimentos de ensino e de saúde no município. A medida, de autoria do tucano Paulo Arildo, prevê ainda em seu artigo segundo que a proibição se estende também à área circunscrita de 200 metros em torno dos locais especificados no projeto. Com isso, bares e similares situados nesse raio próximos a escolas, postos de saúde ou mesmo a terminais de transporte coletivo seriam impedidos de comercializar esses produtos, sob pena de serem multados em valores que variam de R$ 1 mil a R$ 10 mil, além da apreensão da mercadoria.
Apesar de ainda não ter passado em segundo turno, o projeto de Arildo não foi bem recebido pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similiares Ltda de Londrina. Segundo o superintendente da entidade, Alzir Bocchi, o sindicato sequer foi consultado para a proposição da lei. Além do mais, continua, no caso de a lei ser sancionada, ela não deve trazer o efeito pretendido. ''O aluno, por exemplo, pode até deixar de comprar bebida alcoólica ou cigarro em um balcão de bar próximo da escola. Mas isso não vai inibi-lo de andar até 2 quilômetros e ir a um mercado e comprar o que quer'', enfatizou Bocchi.
Ainda na opinião do superintendente, o projeto do vereador ''fere o direito de ir e vir do cidadão e do comerciante'', já que afetaria estabelecimentos que ''há anos'' comercializam os produtos nas áreas em que seriam proibidos. Da mesma forma, Bocchi não acredita que haverá fsicalização suficiente da Prefeitura para coibir a venda. ''Se nem no Centro estão dando conta dos ambulantes irregulares, que dirá dessas vendas em periferia. Vai ser mais uma lei inoperante, isso sim''.
O parlamentar discorda e, de quebra, nega que estender a iniciativa ao raio de 200 metros dos locais citados tenha caráter impopular. ''O que vale é intensificar o combate ao fumo e ao álcool'', resumiu. A Secretaria Municipal de Fazenda, chefiada por Wilson Sella, seria a responsável pela fiscalização defendida por Arildo e prevista no projeto de lei. Ontem à noite, contudo, Sella informou via assessoria que a Prefeitura já havia encaminhado um ofício à Câmara, na tramitação da matéria, atestando ''falta de condições de fazer essa fiscalização''. O tucano garantiu não saber de nada. ''Em nenhum momento isso chegou até mim, mas verificarei amanhã (hoje).''
O Legislativo volta a discutir o assunto na sessão de hoje.

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