Curitiba - Depois de três meses sem votar projetos importantes devido ao calendário eleitoral, os deputados estaduais se assustaram ontem com o ritmo imposto pelo presidente da Assembléia Legislativa Hermas Brandão (PSDB) na volta aos trabalhos legislativos. Deputados da base aliada e da oposição se articularam ontem para evitar que duas mensagens com projetos enviados pelo governo estadual fossem aprovados antes de serem apreciados com tempo pelos parlamentares.
A mensagem que mais chamou a atenção dos deputados foi a que prevê a criação de uma sociedade entre a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Eletrosul Centrais Elétricas para construir e gerenciar linhas elétricas na bacia do Rio Iguaçu. Pela mensagem, a Copel seria sócia de três consórcios que gerenciaram as linhas de transmissão em três trechos: Cascavel-Foz do Iguaçu, Cascavel-Ivaiporã e Ivaiporã-Londrina.
A mensagem foi enviada a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes mesmo de ser lida no plenário da Casa, o que só aconteceu no início da tarde de ontem. Brandão incluiu o projeto na pauta de uma sessão extraordinária realizada no final da tarde de ontem, mas uma manobra encabeçada pelo deputado Valdir Rossoni (PSDB) impediu a votação. O plenário foi esvaziado, e a sessão só teve continuidade após a retirada do ponto polêmico da pauta. O tema deve voltar a discussão hoje de manhã, após técnicos da Copel explicarem o projeto aos deputados.
Dois pontos chamaram a atenção dos deputados. O primeiro é que em dois dos consórcios a serem montados a Copel não tem participação majoritária nas ações, o que contraria a praxe do governo Roberto Requião (PMDB). ''Tenho informações também de que o negócio já teria sido concluído, e que o governo está apenas querendo referendar uma situação já existente. Isso é um desrespeito à Assembléia'', afirmou Rossoni.
Outro projeto que teve sua tramitação desacelerada foi o que prevê a contratação de novos procuradores do Estado. O projeto do governo visa extinguir gradualmente a carreira de advogado do Estado, criada em 1990. O líder do governo, Natálio Stica, pediu regime de urgência para o projeto. Após a manifestação de vários parlamentares contrários ao açodamento na votação, Brandão retirou o pedido de urgência, alegando que Stica não estava no plenário para defender seu pedido.

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